A internet tornou-se um espaço de convívio, um lugar de recolha de informação e, acima de tudo, algo indispensável à vida em sociedade.
É hoje comemorado o Dia Mundial da Internet, também conhecido como Dia Mundial da Sociedade de Informação. A data foi instaurada após Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada na Tunísia, a 17 de maio de 2005. Nesse mesmo dia, assinalou-se pela última vez o Dia Mundial das Telecomunicações, como era antes conhecido o 17 de maio.
Esta mudança foi motivada por uma proposta da Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação (CMSI), que reivindicava à ONU o combate à exclusão digital e garantia de acesso mundial à rede como meta a atingir. A primeira edição comemorativa visava a consciencialização para os benefícios que a internet oferece aos cidadãos, ao nível da informação e discussão de ideias, assim como os desafios para o futuro. Dezassete anos volvidos, como é que a sociedade usufrui da internet e que benefícios retira dela?
Eduarda Vilela e Joana Oliveira, estudantes de Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, referem o uso variado da internet nas suas casas. “Os meus pais usufruem principalmente do Facebook como forma de socialização online e do YouTube para ouvir música, ver vídeos sobre locais que querem visitar ou receitas que querem fazer”, relata Joana. Menciona também as plataformas de streaming, como a HBO e a Disney+, o Spotify e outras redes sociais como algo a que recorre com regularidade.
As redes sociais acabam por ser o fim mais usado, mas Eduarda Vilela destaca o uso da internet pelo irmão para jogos online e a necessidade de os pais a usarem para o trabalho. Quando questionada se conseguiria viver sem internet, Eduarda afirma que dispensaria as redes sociais “no sentido em que não as utiliza muito”. Por outro lado, a internet em si é “indispensável”, uma vez que a usa como “forma de pesquisa, estudo, trabalho e para se manter informada”. Já Joana não se imagina sem estas possibilidades, já que é “desconcertante” abdicar de algo que se tornou tão rotineiro.
À luz deste tema, o ComUM falou com o jornalista Luís António Santos, professor no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho (ICS). “A internet altera as modalidades de produção e distribuição da comunicação, de forma genérica. É o primeiro espaço que tem esta natureza transversal”, afirma.
“Em termos de formas de distribuição de comunicação, no passado falávamos em mass media, alguém produzia um conteúdo, replicava-o e distribuía-o para o mundo. Com o aparecimento da internet, esse modelo deixou de ser o modelo predominante. Teve de se adaptar a um modelo de distribuição muito mais alargado, em que o acesso que cada um de nós faz à informação é assíncrono – ou seja, eu não preciso de ver o programa quando ele é feito, mas quando me apetecer”, explica Luís António Santos.
Porém, a questão do acesso ainda está por resolver. No ano passado, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), ainda 11,2% das famílias portuguesas não tinham acesso à internet. Em 2019, a Akami Technologies divulgou, junto do jornal britânico The Telegraph, os 35 países com uma percentagem de utilizadores de internet inferior a 20%, de entre os quais a Líbia, o Mali e a Guatemala.
“Em algumas circunstâncias, o facto de eu ter a possibilidade de aceder à internet, se eu não tiver competências para gerir o que lá aparece, isso não me adianta de coisa nenhuma. Vamos ter de começar a discutir que acesso é que temos, se é acesso qualificado – se consigo aceder às plataformas do Estado, dos impostos, do cartão de cidadão, se consigo marcar um quarto de hotel, se consigo agendar uma viagem”, rematou o professor do ICS.
A internet ficou disponível para toda a população há 30 anos e, em conjunto com o avanço noutros sistemas tecnológicos, criou um novo mundo paralelo – interligado ao mesmo e tornando a vida dependentes de si. Neste Dia Mundial da Internet, volta-se a refletir no que esta permitiu alcançar e que progressos podemos esperar para o futuro.


