A lista A propõe-se a auscultar as necessidades dos estudantes.

A lista A, encabeçada por Sónia Fernandes, do mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, é candidata a representante dos estudantes no Senado Académico da Universidade do Minho (UMinho). Em conversa com o ComUM, os membros afirmaram que a motivação da candidatura advém do contacto com a comunidade estudantil, que se traduziu na perceção “de diversas problemáticas e necessidades que estes enfrentam”.

A entrevista à lista A contou com a presença dos seis membros principais, a pedido dos mesmos, por se tratar de “um projeto desenvolvido em equipa”. Sónia Fernandes explicou ainda que pretendem com isso demonstrar que têm “a motivação certa para dar voz aos estudantes”.

ComUM: O que motivou a vossa candidatura?

Sónia Fernandes: O contacto com alunos de diferentes escolas e campi fez-me perceber que existem diversas problemáticas e necessidades que os estudantes enfrentam. Quando soube que o biénio do Senado Académico estava a terminar, decidi criar uma equipa que representasse a maioria dos estudantes e que sentisse as dificuldades para todos juntos podermos perceber como é que poderíamos melhorar a qualidade de ensino.

ComUM: Como surgiu o mote mais academia?

Sónia Fernandes: Por causa da representatividade e da diversidade que existe atualmente na universidade. Queremos deixar de parte aquilo que são elitismos e que todos os estudantes de todas as origens e culturas, de diferentes níveis económicos tenham uma academia capaz de responder às suas necessidades.

ComUM: O que defendem relativamente aos encargos no ensino superior?

Pedro Antunes: Reivindicamos o reforço da oferta do alojamento público. Apesar de já termos dois projetos confirmados, em Braga e em Guimarães, naturalmente a existência de residências com melhores condições irá levar ao aumento da procura. Portanto, reivindicamos que a universidade procure perto da tutela uma posição firme quanto à procura de soluções para este problema. Queremos também auscultar as comissões de residentes que têm mais proximidade aos residentes e por isso conseguem identificar os principais problemas que encontram. Além disso, garantir que o alojamento privado seja regulado e que não existam aqueles casos com preços exorbitantes.

Também nas bolsas de estudos, entendemos que é necessário alargar o limiar de elegibilidade na atribuição destas bolsas, fazendo chegar as bolsas a mais famílias. Aumentar o valor da bolsa do 2º ciclo porque, apesar de ter havido aumentos para outros ciclos, entendemos que no 2º esse acompanhamento não está a ser feito. Alargar também o Fundo de Apoio Social, que, atualmente, não abrange o 3º ciclo.

Defendemos a redução progressiva da propina até ser gratuita, tornando o ensino superior mais acessível. Assim como a abolição de taxas e emolumentos, com um dos casos mais preocupantes sendo a questão dos estudantes de 3º ciclo que ao defenderem a própria tese têm que pagar uma taxa de 300€.

As propinas dos estudantes CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] têm um intervalo que as escolas são obrigadas a cumprir. O que verificamos é que este intervalo serve para que os estudantes CPLP tenham alguma vantagem sobre os estudantes internacionais, dada a maior proximidade ao nosso país. Contudo, o ponto máximo desse intervalo, em muitas das escolas, é muito próximo ou igual ao dos estudantes internacionais. É importante diminuir o teto máximo desse intervalo e tornar o valor da propina mais justo para estes estudantes.

ComUM: No campo da inovação pedagógica, o que propõem?

Carolina Machado: Defendemos que as instituições de ensino superior adotem abordagens pedagógicas inovadoras. Têm de ser adequadas e adaptadas ao futuro contexto profissional dos nossos estudantes, nomeadamente através da atualização dos modelos de ensino para modelos que incentivem o pensamento crítico, a capacidade de resolução de problemas e também a busca ativa de conhecimentos. Acreditamos que a digitalização do ensino e a integração de tecnologia no mesmo é um meio facilitador para a missão de ensinar.

No que toca à taxa de abandono escolar, na UMinho encontra-se nos 11%, o que é bastante preocupante. Têm de ser estudadas políticas concretas para o levantamento das causas deste abandono.

ComUM: Que outras propostas consideram mais emergentes?

Mariana Magalhães: Relativamente à saúde mental, atualmente, na UMinho existe apenas um psicólogo para 20 mil estudantes, o que contraria quer as recomendações da Ordem dos Psicólogos Portugueses, que defende um rácio de um psicólogo para 500 estudantes, quer as recomendações da Assembleia da República, que defendem um rácio de um psicólogo para 750. Defendemos um aumento do número de profissionais de psicologia, devendo atender à diversidade da nossa comunidade.

Tiago Nogueira: Destacamos também a necessidade do reforço da prática de investigação. Sendo o Minho o centro de excelência na ciência a nível nacional, defendemos o reforço de financiamento destinado a estas atividades. A segunda questão é referente aos bolseiros investigadores. Preocupa-nos igualmente a precariedade destes estudantes com trabalho altamente qualificado a baixo custo, onde a temos a questão da exclusividade de funções que é exigida, o que impede um estudante de procurar outras fontes de rendimento quando o valor atribuído é insuficiente para comportar as suas despesas. Assim, o que defendemos é uma revisão do estatuto do bolseiro de investigação de forma a eliminar a exclusividade, aumentar as tipologias das bolsas e também garantir um valor mínimo. Relembro que existem bolsas de investigação em que o valor mensal está abaixo dos 500 euros.

Sobre a participação estudantil, defendemos o aumento do número de estudantes presentes nos diversos órgãos de governo e de gestão da universidade. É também necessária a revisão do REJIES [Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior]. Aquilo que ansiamos é que a UMinho tenha um papel mais ativo e mais interventivo nesse processo.

Um dos grandes problemas que a universidade enfrenta é o subfinanciamento crónico. Pretendemos que a reitoria tenha um papel mais reivindicativo na tutela para reforçar quer o financiamento que recebe através da votação do Orçamento de Estado, mas também através da revisão da lei de bases de financiamento do ensino superior. Atualmente, essa lei encontra-se inadaptada à realidade que se vive nas instituições de ensino superior.

ComUM: Numa possível eleição, de que modo pretendem colocar estes objetivos em prática?

Sónia Fernandes: Estes assuntos são muitas vezes discutidos em plenário. São propostos pelo reitor ou pelas escolas e é aí que vamos trabalhar. Vamos auscultar os estudantes para perceber que rumo pretendem que a universidade tome. A partir daí, vamos lutar pelos seus direitos, dialogar e manter a cooperação com todos os representantes dos diversos intervenientes, quer sejam dos docentes, pessoal não docente e investigadores.

ComUM: Durante a campanha, tentaram essa aproximação dos estudantes?

Sónia Fernandes: Fizemos esta aproximação antes da campanha. Tivemos de construir um manifesto e perceber quais as principais áreas sobre as quais nos deveríamos debruçar. Aproveitámos o facto de muitos de nós já termos a experiência de estar em núcleos de estudantes, no Senado, em júnior empresas e em grupos culturais para fazer a auscultação prévia à campanha para percebermos como poderíamos trabalhar.

ComUM: E sentiram que conseguiram chegar aos estudantes?

Sónia Fernandes: Sim. Infelizmente, tivemos essa batalha de apresentar o Senado Académico, quem são os constituintes, o que é suposto fazer neste órgão. Sentimos que fizemos a diferença nas pessoas que auscultamos através de questionários e de estarmos no próprio campus. Houve muita partilha de ideias da parte dos estudantes connosco.

ComUM: A taxa de abstenção tem sido bastante elevada. Tiveram em mente alguma estratégia que pudesse diminuir este valor?

Sónia Fernandes: O facto de existir um projeto adversário vai mobilizar mais pessoas para as eleições, o que consideramos um bom indicador de que os estudantes estão a participar. Temos as nossas redes sociais, grupos, a facilidade em chegar aos diversos campi, visto que temos representantes em todos eles. A nossa estratégia é falar diretamente com os estudantes e estarmos próximos da comunidade estudantil para reduzir ao máximo esta abstenção e para que no dia 5 de julho estejam presentes e votem com consciência.