Uma Boa Pessoa é o mais recente filme escrito e dirigido por Zach Braff. A narrativa segue Allison (Florence Pugh), uma jovem cuja vida muda drasticamente após se envolver num acidente de viação. O acidente vitimiza a irmã do noivo de Allison e o seu marido, deixando a filha de ambos aos cuidados do avô, Daniel (Morgan Freeman).

Um ano após o acidente, Allison é apenas a sombra de quem costumava ser: terminou o noivado com Nathan (Chinaza Uche), voltou a viver com a mãe (Molly Shannon), não tem emprego e, por consequência dos ferimentos sofridos, desenvolveu uma dependência de comprimidos opioides. Daniel também não está na melhor das situações. Para além de ter perdido a filha, não sabe como agir com Ryan (Celeste O’Connor), a neta que tem agora a seu cargo. Os fantasmas do passado e os desafios do presente ameaçam os seus dez anos de sobriedade.

É numa reunião dos Alcoólicos Anónimos que os destinos destas personagens se voltam a entrelaçar. Daniel e Allison embarcam numa jornada de descoberta do perdão entre o vício e o luto. Através das segundas oportunidades que lhes são oferecidas pelo destino, ambos percebem que ser uma boa pessoa é muito mais complexo do que fazer sempre a coisa certa. Uma boa pessoa pode ser aquela que fez coisas imperdoáveis ou aquela que escolhe sê-lo mesmo quando é mais difícil.

O argumento do filme não é extraordinário.  Os diálogos relevam-se um tanto rasos e as falas de Zoey parecem ter sido escritas por alguém que nunca contactou com um adolescente na vida. Embora a ideia por detrás da obra seja interessante, a execução de Zach Braff foi um tanto quanto preguiçosa. Contudo, a edição é, em geral, bem conseguida. Mesmo que haja pouca inovação na imagem lenta e arrastada após Allison se drogar, o tom esperançoso do filme persevera-se até nas cenas mais escuras.

É nos momentos mais intensos que melhor se percebe o quanto a história é suportada, quase inteiramente, pelas atuações dos atores principais. Florence Pugh entrega uma interpretação impetuosa e crua do que é a dependência química, conseguindo até ofuscar Morgan Freeman, vencedor dos prémios da Academia.

A trilha sonora é outro ponto positivo a destacar: sons melódicos e bem incorporados nos momentos narrativos ajudam a corroborar o ambiente pretendido. As músicas escritas e interpretadas por Florence Pugh são também uma bonita viagem à mente de Allison, uma viagem que nos ajuda a compreender a personagem por inteiro.

Uma Boa Pessoa é um filme interessante e com algum potencial, ainda que valha mais pelas atuações do que pelo conteúdo em si. No entanto, o retratar do luto e da necessidade de nos perdoarmos a nós mesmos também acaba por nos deixar curiosos e reter a nossa atenção ao longo das duas horas de duração da longa.

Uma Boa Pessoa estreou em março deste ano nos Estados Unidos e em Inglaterra, mas apenas chega às salas de cinema portuguesas a 31 de agosto.