Uma em cada quatro pessoas que cresceram numa família com baixos recursos é pobre.
O dia 17 de outubro celebra o Dia Internacional para Erradicação da Pobreza. A data serve como uma chamada de atenção para um problema crescente que ocupa diariamente a sociedade portuguesa.
O relatório “Portugal e o Elevador Social: Nascer Pobre É Uma Fatalidade?” concluiu que quem cresceu num seio familiar com menos recursos económicos e com uma menor escolarização enfrenta um maior risco de pobreza na vida adulta. Os dados revelam ainda que uma em cada quatro pessoas que nasceu nesta situação, permaneceu nas mesmas condições.
No entanto, são várias as organizações que lutam todos os dias para conseguir ajudar quem vive nesta situação mais precária. A Cantina Social da Cruz Vermelha, situada no Centro de Alojamento Temporário Dr. Francisco Alvim, em Nogueira, é uma instituição que procura contribuir para este apoio social.
Declarações de utente e cozinheira da Cantina Social
O ComUm obteve as declarações de José Paulo Sousa Marques, um dos muitos utentes da Cantina Social e de Palmira Barreiros, uma cozinheira com 15 anos de casa e uma paixão enorme pelo trabalho que faz.
Declarações de Júlia Fernandes, responsável pela Cantina Social
Uma das responsáveis pela cantina social, Júlia Fernandes, partilhou ainda informações sobre o funcionamento da cantina e tudo o que fazem para garantir ajuda a quem dela mais precisa.
ComUM: A cantina tem capacidade para dar resposta a quantas pessoas?
Júlia Fernandes: Temos capacidade para 60 utentes. Claro que, em situações de emergência de pessoas em situação de sem abrigo e de carência alimentar, nós damos resposta na mesma.
ComUM: O que é que cada pessoa recebe?
Júlia Fernandes: Todos têm direito a uma refeição por dia. Um prato de comida, um de sopa, fruta, pão e depois temos ainda um reforço. São donativos de hipermercados que tentamos que sejam distribuídos de igual forma a cada um deles. É algo para levarem para casa para de uma certa forma, como não têm o jantar nem o pequeno almoço, ajudar a colmatar essa parte. Isto não está protocolado, é importante dizer. É a Cruz Vermelha, em parceria com os hipermercados locais, que consegue dar esse apoio.
ComUM: Qual é o horário de funcionamento da cantina?
Júlia Fernandes: A cantina está aberta todos os dias: fins de semana, feriados, Natal, nunca fechamos, estamos abertos 365 dias por ano. O horário é das 11h30 até às 12h para quem levanta a refeição e a faz na sua habitação. Para quem não tem habitação própria ou prefere fazer aqui a refeição por algum motivo, também o pode fazer das 12h às 13h.
ComUM: A cantina social só ajuda na parte alimentar?
Júlia Fernandes: Não, nós damos apoio a vários níveis, se não a todos os níveis. Seja acompanhamento a consultas, fazer o cartão de cidadão, o que for mesmo necessário. Se nós não tivermos capacidade, também arranjamos maneira de encaminhar a pessoa.
Há ainda um acompanhamento psicossocial, três vezes por semana. Em parceria com o centro de alojamento temporário, abrimos o atelier para eles ocuparem os seus tempos livres de uma forma lúdica também. Temos jogos de cartas, de tabuleiro ou pinturas ou então formações. Muitas vezes são até eles que solicitam e lançam os temas que gostavam de aprender.
ComUM: Também ajudam as utentes a reencaminhar a sua vida profissional?
Júlia Fernandes: Sim, nós fazemos a inscrição com eles no centro de emprego. Quando algum utente consegue trabalho, pelo menos durante os primeiros meses, até organizar a sua vida, alteramos o horário de funcionamento. Uma vez que eles estão a trabalhar, em vez do almoço, damos o jantar. E quando começam a trabalhar também fazemos um reforço maior, uma vez que a pessoa precisa de se alimentar bem e não consegue vir aqui sempre.
Erradicar a pobreza não parte apenas de ajudar quem é pobre, é sobre permitir que homens e mulheres vivam com dignidade todos os dias.



