Património amarense encontra-se disperso por todo o concelho.
Neste mês de outubro, o Guia ComUM aterra em Amares, vila e concelho no distrito de Braga, bem perto da cidade dos arcebispos. Recortado pelos rios Cávado e Homem, apresenta uma beleza natural ímpar, património religioso e gastronomia típica: dos vinhos verdes às papas de sarrabulho até às laranjas – as mais doces da região no verão. Fique a conhecer melhor o berço de ilustres figuras da história e cultura nacional, como D. Gualdim Pais, Francisco Sá de Miranda ou António Variações.
Capela da Senhora da Paz
No alto do Monte da Santinha, como é carinhosamente apelidado o Monte da Senhora da Paz, na vila de Amares, encontra-se a capela homónima: lugar de peregrinação, retiro e lazer, mas de grande importância histórica. Foi no auge da Guerra Colonial que elementos do clero, com o apoio da população, juntaram fundos para a edificação de um santuário à Nossa Senhora da Paz – um apelo divino pelo fim da guerra e pelo regresso dos soldados que partiram para lutar nas colónias.
A capela assumiu um papel tão social quanto religioso nessa época, já que sempre que um soldado do concelho voltasse são e salvo do Ultramar, deixaria círios à Senhora da Paz ou lançar foguetes no cimo do monte. Ainda hoje se realiza, por altura da Páscoa, a procissão que parte da Igreja Matriz de Amares até ao santuário.
A extração de granito do Monte da Santinha, iniciada na década de 50 do século passado e terminada há cerca de 20 anos atrás, fez do concelho um dos principais fornecedores dessa rocha para a Alemanha. O peso histórico do local acresceu aquando da descoberta de vestígios de povoados da Idade do Bronze, do Calcolítico e da época romana.
Santuário de Nossa Senhora da Abadia
Às portas do Gerês, em Santa Maria de Bouro, encontra-se o Santuário de Nossa Senhora da Abadia. Considerado o mais antigo santuário mariano de Portugal, terá sido edificado entre os séculos VI e VII e reconstruído no século XVIII. Em total comunhão com a natureza, o templo foi erguido nas imediações da gruta onde, segundo a lenda, Frei Lourenço e Paio Amado encontraram a imagem da Virgem Maria, há muito desaparecida, ali escondida pelos eremitas do antigo Mosteiro da Montanha, aquando da invasão árabe no séc. VIII.
De estilo barroco, a igreja é constituída por três naves e no seu interior destaca-se o altar central, cuja imponência é reforçada pelas suas figuras e pela armação em talha dourada. Na fachada, encontra-se uma varanda ornada com azulejos renascentistas, na qual se celebra a missa para os peregrinos e romeiros no último domingo de maio e no dia da Assunção de Nossa Senhora, a 15 de agosto. Junto ao templo, pode visitar o Museu de Arte Sacra e Etnográfico da Confraria de Nossa Senhora da Abadia e desfrutar do parque de merendas e dos suaves cursos de água do rio Nava, à distância de uma curta caminhada.
Mosteiro de Santo André de Rendufe
Em Rendufe, o mosteiro beneditino de Santo André leva-nos à época do Conde D. Henrique e, embora não haja documentação oficial sobre a datação da obra, a inscrição existente no pavimento junto ao cruzeiro, mostra que a mesma estava concluída em 1151. Com mais de meio hectare de área total, os vastos terrenos vinhateiros albergam uma das mais importantes casas conventuais do país.
O claustro continha uma biblioteca e um dormitório, que, infelizmente, foram destruídos no incêndio de 1877, conservando apenas a silhueta arquitetónica e o aqueduto. Na igreja, continuam a celebrar-se missas e outros eventos religiosos, para além de visitas guiadas.
Monte de São Pedro Fins
O Monte de São Pedro Fins eleva-se a mais de 550 metros de altitude e, pela sua proporção, é um ponto de orientação em direção à vila e outros pontos de interesse para quem vem do lado da Ponte do Bico. O lazer e o desporto são igualmente propósitos que destacam este ícone natural amarense.
No ponto mais alto do monte, encontra-se um miradouro com vista privilegiada para todo o concelho e territórios vizinhos, que pode aproveitar em família ou para tirar fotografias únicas. No cimo da elevação, é possível procurar a paz interior na Ermida de São Pedro e experienciar os desportos de montanha lá praticados, como o parapente ou o BTT. Pode-se chegar ao topo do Monte de São Pedro a pé, de bicicleta ou de carro, com maior segurança desde a requalificação dos acessos.
Aldeia de Urjal
A aldeia de Urjal situa-se na freguesia de Seramil, a 9 quilómetros da sede do município, entre a serra de Santa Isabel e o monte da Abadia. Os tradicionais espigueiros, as casas rústicas e a sua história conferem-lhe o estatuto de aldeia tipicamente minhota. A agricultura e a criação de gado continuam a ser as principais atividades que sustentam a gente daqui.
Hoje com apenas 27 habitantes, Urjal precisou de se reinventar para ressuscitar, mais concretamente com a aposta no turismo. A Urjalândia, projeto que todos os anos, pela altura do Natal, celebra as tradições da aldeia durante três dias, que é decorada de forma ecológica. A Casa da Urze e a Casa da Sequeira D’Urjal são dois alojamentos preparados para receber os milhares que visitam esta aldeia durante todo o ano. No Monte do Urjal, é possível ainda avistar as planícies do Vale do Homem enquanto se balança no baloiço panorâmico.
Se quiser conhecer mais sobre a vida que resiste nesta aldeia, leia a seguinte reportagem que o ComUM divulgou em julho deste ano, da autoria de Carolina Damas e Diogo Braga.
Termas de Caldelas
À vila de Caldelas, no norte do concelho, o poder medicinal das suas águas termais tem-lhe concedido fama internacional – fama essa que remonta aos tempos dos romanos. Fazem parte do complexo termal um balneário, bicas de água, um centro de medicina física e o Grande Hotel da Bela Vista. Para além do bem-estar e do combate ao stress, é aqui realizado o tratamento de perturbações do aparelho digestivo, pele e reumatismo e promove-se o repouso e a saúde. Também é possível encontrar diversão nas piscinas públicas da vila.
A Câmara de Amares adquiriu a estância termal em outubro de 2021, período em que já se encontrava em remodelação, tendo reaberto ao público em junho deste ano. As Termas de Caldelas serviram de inspiração à escritora Alice Vieira, que passou os verões na vila entre os 4 e os 14 anos, para a sua obra “Águas de Verão”.
Ponte do Porto
A Ponte do Porto, também conhecida como Ponte de Prozelo, é uma ponte medieval sobre o Rio Cávado. Acredita-se que tenha sido construída na Idade Média, embora haja registo de uma ponte edificada na época romana para facilitar a ligação de Braga à outra margem do Cávado, onde se encontra o concelho de Amares.
A sua construção foi feita em granito e é constituída por onze arcos e um tabuleiro irregular vedado de dois metros e oitenta centímetros de largura. A ponte tem um comprimento de 150 metros e está dividida entre as freguesias de Prozelo (Amares) e Pousada, concelho de Braga. Encontra-se encerrada ao trânsito, sendo permitido atravessá-la a pé.
Praia Fluvial de Felinhos
Ladeada por floresta e longe da azáfama, a Praia Fluvial de Felinhos oferece uma experiência revigorante e singular a quem por lá passa. Localizada em Lago, a praia encontra-se equipada com um parque de merendas, zona extensa de relva para piquenique, assadores, pontos de recolha de lixo, casas de banho e várias áreas de sombra. O caudal baixo e as águas límpidas e frescas convidam a banhos em família neste recanto escondido na margem do rio Homem.





