Ontem, dia 2 de novembro, foi dado início à primeira edição do Festival Literário Utopia. A sessão de inauguração, acolhida na sala principal do Theatro Circo, contou com um momento musical e intervenções institucionais. Como também, conversas entre o humorista Ricardo Araújo Pereira e o professor e escritor Frederico Lourenço, com moderação da jornalista Maria João Costa.
A participação musical que iniciou o encontro destacou-se pela cultura portuguesa. O coro feminino do Conservatório de Música de Bonfim utilizou lenços tradicionais do Minho, enquanto interpretava clássicos como “Oliveira da Serra”. A apresentação simples, mas efetiva, evidenciou o tom do convívio.
De seguida, a atenção focou-se no protocolo estabelecido entre os municípios de Braga, Lisboa e Óbidos, manifestado na cooperação do Festival Literário Utopia, do Fólio (Festival Literário Internacional de Óbidos) e do Festival Literário de Lisboa 5L. Juntos, Ricardo Rio (presidente da Câmara Municipal de Braga), Laurentina Pereira (diretora municipal de cultura da Câmara Municipal de Lisboa) e Filipe Daniel (presidente da Câmara Municipal de Óbidos), expressaram a sua dedicação à cultura e à vontade de potenciar a níveis internacionais a reputação destes festivais literários.
Finalmente, foram recebidos em palco Ricardo Araújo Pereira, Frederico Lourenço e Maria João Costa. A dinâmica entre os dois convidados foi desde cedo assente. O comediante não se limitou ao humor e navegou pelo mundo clássico com o seu colega de cena. Por sua vez, Frederico Lourenço, um estudioso que não desconhece o universo do humor, reconheceu a importância da piada e como possuí o dom de simplificar assuntos complexos.
A conversa partiu da origem do conceito de Utopia, tocando na obra homônima de Sir Thomas More. A religião, que surgiu principalmente no campo de trabalho de Frederico Lourenço, atualmente envolvido na tradução da bíblia do grego para o português, foi também tema. As perspectivas ateia e católica revelaram-se benéficas para a discussão. Assuntos inescapáveis como a guerra, o politicamente correto e os limites do humor foram igualmente abordados. A audiência não ficou indiferente ao talento humorístico de Ricardo Araújo Pereira, e certamente privilegiou do extenso conhecimento do professor e tradutor, a quem nunca faltavam observações astutas que contrapunham os pontos abordados pelo comediante e jornalista.
Com lotação esgotada na abertura, os restantes 11 dias do Festival Utopia abrigam-se em Braga até dia 12 de novembro. A programação conta com conversas, espetáculos, workshops, oficinas, entrevistas e outras atividades onde a cultura – e especialmente a literatura – provam ser cruciais no mundo moderno.




