O ComUM recolheu vários pontos de vista de civis portugueses sobre o estado atual da paz mundial.

O primeiro dia de 2024, 1 de janeiro, marcou o Dia Mundial da Paz. Esta data avança para a 57ª comemoração. Na habitual mensagem para este dia, o Papa Francisco debruçou-se sobre o tema “Inteligências Artificiais e Paz”. O líder da Igreja Católica destacou a importância crescente da Inteligência Artificial (IA), alertando para as “oportunidades entusiasmantes”, mas também para o “grave risco” associado às novas tecnologias.

Terá sido assegurada a paz, a nível mundial, em 2023? Nas entrevistas realizadas pelo ComUM, os inquiridos defendem que não. Acrescentam ainda que este tema foi um dos destaques do ano, mas pelos maus motivos. Nas suas intervenções, os entrevistados apontaram que os conflitos entre Rússia/Ucrânia e Israel/Palestina são as principais fontes de instabilidade mundial.

 

O mais recente confronto, que envolve Israel e Palestina, não teve início recentemente. A sua origem remete-se para o ano de 1948, quando David Ben-Gurion proclamou a independência de Israel, um território para os judeus que fugiam de inúmeras perseguições. A criação do estado israelita obrigou os palestinianos a um êxodo forçado, complicando as suas intenções de assegurar um estado próprio. A partir daí, sucederam-se episódios violentos entre ambos os povos. O mais recente ocorreu a sete de outubro deste ano. O Hamas, uma organização militar e política de origem palestiniana, lançou mísseis contra o sul de Israel. Localizado na Faixa de Gaza, o grupo palestiniano também enviou militares armados para a frente do conflito.

 

A disputa entre Rússia e Ucrânia reatou-se em fevereiro de 2022, quando os russos anexaram, de forma ilegal, as regiões de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Quérson. O que terá motivado Putin, presidente russo, a dar o pontapé de saída foram assuntos inacabados com a Ucrânia, bem como a sua intenção de restabelecer a extinta União Soviética. Desde esse momento, a União Europeia aplicou à Rússia sanções económicas, energéticas, de circulação/transportes, e suspensão de vários acordos sobre direitos relativos à transmissão de canais. Igualmente, a UE adotou sanções contra a Bielorrússia pelo seu envolvimento na invasão à Ucrânia. O Irão foi igualmente punido, mas pelo fornecimento de drones ao país agressor. A nível mundial, vários países e organizações têm-se mostrado solidários com o povo ucraniano, inclusive Portugal.

 

Afinal, os inquiridos estão a par de que medidas têm sido propostas com o intuito de restabelecer a paz nos territórios atacados? A verdade é que “de forma específica, não”. No entanto, os visados têm noção que existe “uma tentativa de resolver as coisas” por parte das “pessoas que estão de fora”, mais concretamente entidades como a ONU e a UE.

Relativamente à crença de que seja possível um cessar-fogo, os intervenientes reforçam que desejavam que tal se sucedesse, “com base na palavra”. Todavia, acreditam que “isto não vai acabar tão cedo”, acrescentando que “cada vez vai piorar”. Como explicação, apontam para a soberba dos líderes governamentais, “ não pensam nas pessoas, são orgulhosos” visto que “não estão a pensar na população”.

 

A mensagem deixada pelo secretário-geral da ONU para o ano que se aproxima, o português António Guterres, vai de encontro à instauração da paz no mundo. O líder menciona que “Juntos, devemos enfrentar a discriminação e o ódio que envenenam as relações entre países e comunidades”, reforçando que as Nações Unidas “continuarão a mobilizar o mundo pela paz”.

 

Artigo realizado por João Venda e Rodrigo Costa