Lançado em 2022, “Uma Última Paragem” é o segundo livro da autora Casey McQuiston. Após o seu debut “Vermelho, Branco e sangue Azul” ter sido um sucesso e uma imediata sensação no Tiktok, a ânsia cresceu entre os leitores sobre como seriam as próximas obras da escritora.
August não gosta de mistérios. A sua mãe passou a sua vida obcecada pela busca do seu irmão desaparecido e ela não aguenta mais. Mas, quando decide mudar-se para Nova Iorque , com a esperança de acabar os estudos e com as intenções de manter os seus hábitos minimalistas e fortes rotinas, não espera que algo (ou alguém) possa mudar tudo isso.
A viagem diária de metro para a universidade é apenas isso. Mas Jane, a “rapariga do comboio”, faz com que August tenha algo pelo que ansiar todos os dias. Existe apenas um problema: Jane pertence aos anos 70. Ela está deslocada na linha temporal e presa no metro. Sempre que tenta sair, desaparece e retorna para dentro da carruagem. Diante de tal acontecimento e da falta de informação de Jane sobre como tudo isto surgiu (deslocamentos na linha temporal vêm com amnésia), a protagonista torna a sua missão perceber como tirá-la dali.
Este romance sáfico traz-nos, também, um mistério que torna impossível pousar o livro. Quem é Jane? Como é que ela se deslocou no tempo? Porquê que não consegue sair do metro? Todas estas questões pairam na nossa cabeça até os últimos momentos, criando aquele suspense típico de um bom livro.
“Quando passas a tua vida inteira sozinha, é incrivelmente apelativo mudares-te para um sítio grande o suficiente para te perderes. Onde estar sozinho aparenta ser uma escolha.”
A “cereja no topo do bolo” são as personagens. August e Jane trazem o contraste perfeito. Uma pertence ao século XXI, a outra aos anos 70. Uma vive uma vida séria e cheia de regras, a outra é espontânea e descontraída. Mas as personagens secundárias são o que dão vida à obra. Os colegas de casa de August trazem bastante ânimo à história, pois são o aposto dela e obrigam-na a sair da sua zona de conforto, trazendo-nos os momentos mais cómicos.
Além disso, conseguimos sentir Nova Iorque neste livro. Seja no apartamento da protagonista, com os seus colegas tipicamente nova iorquinos, seja no seu local de trabalho (o Pancake Billy’s House of Pancakes) e, principalmente, onde todo o romance acontece, no comboio Q onde a autora descreve cada detalhe de como é andar no metro da cidade. O leitor sente-se como se realmente estivesse a experienciar a Big Apple e isso, por alguma razão, traz um conforto que só as comédias românticas passadas em Nova Iorque trazem.
E claro, é impossível não destacar a representação na obra. Sendo um romance sáfico que envolve uma rapariga dos anos 70, a escritora fala muito sobre a dificuldade de ser abertamente gay nessa época. Conseguimos perceber as mudanças que já ocorreram ao longo dos anos e como isso é visto aos olhos de alguém que não teve uma boa experiência.
Os únicos pontos negativos a apontar é o ritmo um tanto lento inicialmente e, portanto, pode ser um pouco difícil de pegar. Além disso, algumas partes são um pouco confusas, exatamente por estar muita coisa a acontecer ou por estarmos a tentar entender como é que uma viagem no tempo pode ter ocorrido. Porém, quando começamos a perceber tudo o que está a acontecer, é impossível de pousar.
Uma Última Paragem é o livro perfeito para fãs de romance que querem um pouquinho de ação na sua próxima leitura. Depois de começar, é quase impossível parar até finalmente saber o desfecho desta história de amor que vai, literalmente, para além do tempo.
“Mas sabes aquele sentimento? Quando acordas de manhã e tens alguém em quem pensar? Um sítio para a esperança ir? É bom. Mesmo quando é mau, é bom”
Título original: One Last Stop
Autor: Casey McQuiston
Editora: Editorial Presença
Género: Romance
Data de lançamento: Novembro de 2022 (Portugal)



