O ComUM recolheu várias perspetivas de civis portugueses em relação ao papel que a rádio desempenhou no passado e desempenha atualmente.

Esta terça-feira, dia 13 de fevereiro, celebra-se o Dia Mundial da Rádio. A data prossegue apenas para a 12ª celebração, tendo sido, primeiramente reconhecida pela UNESCO em 2011 e, no ano seguinte, adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas como um Dia Internacional da ONU. Este ano, o tema desta comemoração baseia-se no passado glorioso, o presente meritório e a promessa de um futuro com dinamismo.

 

Afinal, de que maneira é que a Rádio é vista nesta era predominantemente digital? Nas entrevistas realizadas pelo ComUM, os inquiridos defendem que a Rádio “ainda tem um papel importante na sociedade”, reforçando que “sempre foi e sempre será uma ferramenta essencial para a vida das pessoas”.

A verdade é que ao longo do tempo e devido ao avanço tecnológico, este meio de comunicação teve de se adaptar para que continuasse a ter as audiências pretendidas. O surgimento de plataformas online implicou que houvesse uma série de alterações, como é o exemplo de criação de podcasts e transmissão online via streaming.

E em relação à forte concorrência da Televisão? Será que a Rádio, no futuro, voltará a batê-la e terá o papel de relevância que teve nos anos 80? Os entrevistados mencionam que não, considerando que “a própria televisão esteja em queda” muito pela “forma como o digital veio influenciar e muito o mundo”. De outra forma, defendem que na época abordada “não existia muitas das coisas que agora nos transmitem as notícias”.

No fim de contas, que diferenças é que são visíveis entre a forma como a rádio era feita na década de 80 e atualmente? Um dos nossos inquiridos aponta que antigamente se exibia “melhor qualidade de informação” e diversidade, “mais variedade de programas”. Hoje em dia, sublinha o facto de haver “mais publicidade e ser menos informativa”.

De acordo com um estudo feito em 2021, durante o mês de setembro desse ano, o consumo de Rádio atingiu valores altos de audiência desde que existe registo, com 84,1% dos residentes a escutarem este serviço pelo menos uma vez por dia. O tempo médio dedicado a este meio de comunicação atingiu a média de 3 horas e 10 minutos. No gráfico abaixo, seguem-se as estações mais ouvidas, conforme a Audiência Acumulada de Véspera (AAV).

Consultado em: https://www.cision.pt/recursos/artigos/sobe-o-consumo-de-radio-e-principais-estacoes-alcancam-valores-historicos/

Analisando profundamente, é perceptível que a rádio não é só um meio de transmissão de informação. Pelo contrário, esta passa por ser, muitas vezes, a única companhia que muitas pessoas têm, como é o caso de alguma população idosa que vive socialmente isolada e utiliza este meio de comunicação para não se sentir em total solidão. Além disso, em algumas zonas do interior do país, a Rádio é motivo de ajuntamento da população e promove o convívio e a socialização.

Desde os tempos mais remotos que esta tradição se mantém. Exemplificando, no Alentejo era costume as populações, no fim do dia de trabalho, se juntarem nos locais providos do equipamento para ouvir as novidades da guerra, notícias do país e ouvirem música. Estes costumes ficaram tão vinculados nas populações rurais que até passaram a ser os principais temas de obras literárias, como é o caso do conto “Sempre é uma companhia” de Manuel da Fonseca.

Artigo realizado por: João Venda e Rodrigo Costa