Rita Rocha e Pedro Marques juntaram-se em 2020 com a ideia de escrever um álbum que  junta o talento musical da cantora com o conhecimento do artista.  Num projeto criado durante a pandemia, o duo foi adicionando, ao longo do tempo, instrumentos até ser necessário uma orquestra com um total de 25 pessoas. Acabaram apenas com dois dias para gravar tudo. A cantora sentiu – se mais pressionada por estar no meio da orquestra durante as gravações do que num palco. Porém, segundo o colega “a Rita nasceu para o palco”.

Sons em Trânsito

As músicas deste álbum são quase todas sobre a vida da cantora, com a exceção de uma faixa, inspirada na vida de Pedro Martins. Ao todo são 14 músicas ,entre as quais encontramos duas versões com orquestra de dois dos singles anteriormente lançados: “Judo” (2022) e “Decide-te” (2023).

“Drama” é a primeira música do álbum que traz para a baila o tema dos sentimentos, principalmente o drama de uma vida adolescente. (“Toda a gente tem um drama/ O meu é especial/Intenso e fulcral/Pelo menos para mim/Não é banal”). “Só mais uma apaixonada” fala sobre um amor nunca vivido porque o outro lado não quer nada sério. (“Porque não me deixares apaixonar, só porque não te queres apegar”)

Em terceiro lugar “Não tenho nada” é a primeira música que a Rita escreveu inteiramente em português do princípio ao fim, e fê-lo a bastante rápido. Conta-nos como é gostar de alguém com quem aparentemente não temos nada em comum. (“Eu não tenho nada/ para ser tua namorada/não sou de ficar a olhar / sou de me apegar”). “Amar é sofrer” continua a perspetiva recorrente no álbum de que amar nem sempre é um mar de rosas e que estar de acordo não é sempre fácil (“Quando eu senti/ que o teu sim era o meu não”)

O álbum continua com o tema “Penso melhor sem ti”. A letra fala-nos de uma experiência que todos já tivemos: o de que, muitas vezes, é mais fácil pensar fora do momento e longe das pessoas. (“No meio de toda a gente/ o coração trava a mente”.) Por outro lado, “Nunca chego ao fim” é um tema de como parece que o ciclo se repete, nunca chega ao fim e que se transforma num ciclo de dor e escuridão, onde o esforço nunca é reconhecido o esforço.

“Três Pontinhos” – o tema que dá nome ao álbum – fala sobre as conversas pelas redes sociais e a incerteza dos significados das conversas e a demora dos “três pontinhos” que antecipam uma mensagem. (“aqueles três pontinhos / quase me levam à loucura”). “Um ano e tal” é a música com um ritmo mais dançante que as restantes. Mas não deixemos o ritmo alegre nos enganar: a faixa fala sobre a pandemia. (“Esta praga disse eu existo”)

“Para sempre são 6 meses” foi escrita pelos dois artistas. Fala-nos de como os sentimentos nem sempre são para sempre e que podem ser seis meses. A mãe de Rita Rocha não gostas da música “porque (…) adora continuidade”.  Já para o pai da jovem cantora é umas das duas preferidas.

“Eu sem ti” é uma música de 46 segundos, composta apenas por vozes e harmonizações. Fala de como sentimos a falta das pessoas nas coisas que fazemos. “Vendaval” é um tema sobre um amor rápido e intenso, que não é claro. (“Passaste por mim como um vendaval/ não fiquei bem nem fiquei mal”)

O álbum é finalizado com o tema “Amigos e tal”. Este é uma canção sobre estar apaixonado por amigo já comprometido. (“se ele quiser curtir liga para ti/ se quiser desabafar liga-me a mim”).

A ideia invulgar de juntar uma orquestra à música pop portuguesa resultou muito bem. Rita Rocha e Pedro Marques entregaram um álbum fora do comum e com frases muito impactantes. O projeto originou também um documentário com o mesmo nome, lançado no canal de YouTube da cantora.