Numa era onde a política e a tecnologia estão intrinsecamente ligadas, o panorama das campanhas políticas em Portugal passa por uma metamorfose significativa. No cenário político português, o aparecimento da era digital tem remodelado a forma como os partidos políticos comunicam e conectam com o eleitorado. Vivemos numa época de informações instantâneas e de crescentes dependências para com as plataformas online e, por isso, muitos são os partidos que perceberam a necessidade de adaptar as suas estratégias de campanha.

Foi notável, ao longo das últimas semanas, um esforço crescente por parte dos partidos políticos em Portugal para conquistar o eleitorado através de investimentos significativos dos seus conteúdos digitais. Recentemente, a Universidade da Beira Interior (UBI) realizou um levantamento abrangente sobre as forças políticas nas plataformas online, entre 9 de novembro de 2023, dia que marcou a dissolução da Assembleia da República, e 19 de fevereiro de 2024. Este período foi marcado por uma intensa atividade política online, destacando o papel central dos media digitais na comunicação política contemporânea.

Este levantamento mostrou, de forma detalhada, o investimento dos partidos políticos de Portugal durante o período que antecede as eleições que se realizaram ontem, dia 10 de março. Os dados revelam que os vídeos assumiram um papel proeminente nas estratégias de comunicação. Desde entrevistas com candidatos, a manifestos em formato de vídeo, os partidos exploraram várias abordagens para transmitir as suas mensagens da tão prometida mudança de forma concisa e, muitas vezes, envolvente.

Os memes políticos também se têm tornado uma forma inusitada de comunicação política. Criativos e muitas vezes humorísticos, estes são partilhados rapidamente, ampliando o alcance das mensagens políticas de maneira orgânica. Ainda assim, a linha tênue entre entretenimento e desinformação deve ser cuidadosamente considerada.

Não só de vídeos e memes para as redes sociais vive uma campanha. O fotojornalismo emergiu como uma peça-chave na estratégica de construção da imagem dos partidos. A captura e seleção minuciosa de momentos autênticos e emocionantes durante os eventos políticos, torna-se cada vez mais importante para retratar a autenticidade, proximidade e interesse com causas sociais, assim como para estabelecer conexões emocionantes entre os candidatos e os eleitores.

O levantamento feito pela UBI destacou também a diversidade dos conteúdos multimédia. Infográficos interativos, por exemplo, foram integrados para simplificar propostas políticas complexas, tornando-as mais acessíveis ao público em geral. A incorporação de novas estratégias de comunicação reflete a compreensão dos partidos de que a diversidade de formatos da campanha é essencial para alcançar mais eleitores.

A transformação digital nas campanhas políticas em Portugal está a moldar uma nova era de comunicação política. Ao investirem em elementos multimédia, os partidos tem o mesmo objetivo: não apenas informar, mas promover um maior envolvimento dos eleitores numa era em que os ecrãs estão por todo o lado e as abstenções aumentam de ano para ano.