No passado mês de fevereiro, a muito esperada sequela para o filme Duna estreou. Realizado por Dennis Villeneuve, o filme de ficção científica com quase três horas continua a história de Paul Atreides, elevando-a para o próximo nível de grandeza.

A segunda parte começa imediatamente após o final da primeira, onde vemos Paul e a sua mãe Jessica em viagem com o povo nativo do deserto, os Fremen. Durante o caminho, Paul aprende os costumes do povo e as técnicas de guerra, tornando-se, aos poucos, Lisan Al Gaib, o Deus profetizado que salvará o planeta. Esta profecia tem grande valor na guerra iminente, tornando Paul o líder dos Fremen.

Apesar do foco principal ser em Paul (Timothée Chalamet), o filme permite a outras personagens brilhar, especialmente Chani, interpretada por Zendaya, que passa por um amor incondicional e uma traição desoladora. Outro destaque é Austin Butler no papel de Feyd-Rautha, sobrinho psicopata do vilão Barão Harkonnen (Stellan Skarsgård). Butler está irreconhecível: seja fisicamente, não tendo qualquer cabelo na cabeça e pele pálida, ou psicologicamente, com um olhar arrepiante e fala lenta e grossa. É uma performance quase exagerada e perturbadora, havendo momentos em que lambe a lâmina antes de matar. No entanto, funciona perfeitamente com o tom da longa.

Um dos pontos altos nas obras de Villeneuve é certamente a cinematografia, e Duna:P arte Dois não é exceção. O realizador dá grande uso às cores para caracterizar os vários planetas deste universo, algo evidente no uso de tons quentes, como laranjas, para o planeta de Arrakis, e no preto e branco para o planeta dos Harkonnens. Esta distinção de cores diz ao espectador quem são os vilões e quem são os heróis, pois as cores escuras dão a sensação de terror e medo. Dennis Villeneuve usa continuamente esta técnica de exploração da história , optando, em alguns momentos, contar a ação por imagens em vez de exposição falada, algo que para muitos é um ponto fraco.

Os visuais fantásticos e as atuações fenomenais são elevadas pela trilha sonora de Hans Zimmer. O vencedor do Óscar pela trilha do primeiro filme não desaponta na segunda parte da história. As passagens estrondosas com as vozes extravagantes acompanham os sons das areias, mergulhando intensamente o espectador na história.

Duna:Parte Dois consolida o lugar da saga nos melhores filmes de ficção científica. A história de Frank Herbert recheada de verdade, romance, manipulação, traição e guerra é impecavelmente adaptada para a grande tela. O terceiro filme já está em processos de produção, e não conseguimos esperar pela próxima e possível final etapa neste universo.