Back to Black chegou aos cinemas no último mês de abril com o objetivo de retratar a história da grande e conhecida figura, Amy Winehouse. Antes mesmo de seu lançamento oficial, alguns excertos da longa biográfica causaram controvérsias e opiniões insatisfeitas do público, tendo em vista o cariz raso de sua produção.

Amy Winehouse foi uma estrela britânica em ascensão no início dos anos 2000, muito conhecida até os dias de hoje pelas suas composições vulneráveis e vocais potentes. Os seus trabalhos exploraram diferentes géneros musicais, desde soul, blues, jazz e até mesmo reggae, sempre com muita maestria.

Apesar de apresentar uma carreira brilhante, a artista lutava contra diferentes conflitos e guerras internas na sua vida pessoal. Numa constante batalha contra o vício de drogas e álcool, além da constante perseguição por paparazzis, muitas de suas músicas descreveram a sua jornada de superação e recaídas. Em julho de 2011, a artista não resistiu ao grande teor de álcool em seu sangue e, com uma overdose, veio a falecer.

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É em tom de homenagem à vida de Winehouse que Back to Black chega aos ecrãs. O filme da realizadora Sam Taylor Johnson pretende representar a ascensão da artista até o último minuto de sua carreira. Embora o objetivo principal tenha o seu caráter de honrar o legado de Amy, muitos são os pontos negativos no seu desenvolvimento que causaram a revolta dos fãs e espectadores.

Em primeiro lugar, a escolha do elenco para interpretar a protagonista desagradou profundamente o público, uma vez que ilustra Amy Winehouse apenas nos seus trejeitos mais superficiais. É evidente que a artista sempre se destacou nos media como uma figura distinta e característica com a sua maquilhagem pesada nos olhos, tatuagens e vocais fortes. Apesar disso, a tentativa de representação no filme pode ser considerada rasa, uma vez que não apresenta grandes semelhanças entre a performance da atriz, Marisa Abela, e a verdadeira essência de Winehouse para além dos seus aspetos físicos.

Por outro lado, Back to Black também expõe o relacionamento turbulento de Amy e Fieder-Civil, acusado de apresentar o mundo das drogas para a cantora. É nesse sentido que surgem mais críticas em cima do filme, uma vez que os fãs apontaram um grande foco na relação romântica das suas personagens em detrimento de outros momentos mais importantes da vida da compositora. Apesar disso, é inegável que a obra demonstra, sem julgamentos profundos, o peso da culpa de algumas decisões de vida e a dependência emocional que Winehouse uma vez apresentou pelo seu amor.

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A produção do filme deixa a desejar por não captar o verdadeiro génio e a rebeldia da artista, sempre parecendo incompleta. É por essa razão que a falta de protagonismo e a representação de momentos muito mais negativos do que positivos no filme apenas reforça a imagem infeliz e problemática de Amy Winehouse divulgada pela media durante muito tempo.

Além disso, a biografia de Amy Winehouse provoca dúvidas quanto a veracidade de alguns factos. Muitos fãs que acompanharam a carreira da artista durante as suas diferentes fases apontaram furos, divergências e alegações falsas acerca da sua jornada pessoal. Ao se prender em muitos aspetos fictícios para garantir certa emoção pública, o filme é acusado por muitos internautas de ser apenas uma maneira sensacionalista de lucrar em cima da imagem de Winehouse.

A seleção de músicas, contudo, é indicada como um dos pontos positivos de Back to Black. Isto porque relembra grandes hits de Amy ao provocar sentimentos de nostalgia e saudosismo aos espectadores que algum dia tiveram contacto com os trabalhos da artista, antes da sua precoce despedida.

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A parte visual e a construção da narrativa também pode ser destacada como outro ponto positivo presente na narrativa. Através de tons que ilustram as emoções da protagonista e as demais personagens, a fotografia de Back to Black é capaz de prender a atenção do público até nos momentos mais monótonos.

A biografia de Back to Black não é capaz de captar a essência de Amy Winehouse, uma vez que se perde ao resumir a carreira da artista em momentos rasos, superficiais e negativos. A valorização da sua discografia vulnerável e humana para além da sua jornada pessoal torna-se o verdadeiro tributo dos fãs à Amy, tendo em vista que a sua biografia nos cinemas não acrescenta nada de extraordinário ao seu legado inesquecível.