O Dark Romance está cada vez mais presente nas estantes dos leitores. A nova adaptação da Netflix, O Fabricante de Lágrimas, e Hunting Adeline são alguns dos livros que têm dado que falar. O gênero literário ganhou popularidade em redes sociais como o TikTok, onde soma mais de 1,5 milhões de vídeos e 8,4 mil milhões de visualizações.

O subgénero de romance aborda temas polêmicos e perturbadores comparados às simples histórias de amor. Rapto, abuso sexual e psicológico, drogas e crimes são algumas das principais temáticas. Para além disso, os interesses amorosos são, geralmente, personagens masculinos de aura negativa, que fazem ações questionáveis contra a protagonista.

Mesmo que a maioria dos livros do género alertem para os “gatilhos” nas primeiras páginas, fica em causa questões morais e éticas, como a violência contra a mulher. Os desequilíbrios de poder nestas relações e a normalização de atos agressivos sobre as figuras femininas podem moldar as perceções dos leitores, sobretudo daqueles que entram “de paraquedas” no mundo literário.

Os fãs de Dark Romance defendem que “o autor apenas relata a história e não incentiva ninguém a viver algo parecido”, porém não nos podemos esquecer que a cada dia surge um novo leitor, muito por causa do fenómeno do BookTok. Um livro que parece uma fuga irrealista da realidade pode cair nas mãos erradas. O facto das obras  justificarem atos criminosos de personagens masculinos com passados traumáticos ou “ações para um bem maior” torna-se prejudicial para quem está por detrás das páginas.

A leitura de temas extremamente gráficos e violentos pode trazer consequências perigosas. Na esfera do BookTok há uma idolatração de personagens masculinos “moralmente cinzas”, que podem formar na mente de jovens leitoras uma perceção de que o parceiro tem que ser violento e possessivo para ter uma “relação de sonho” como se lê nos livros. Podem ser embelezados problemas como bullying e assédio.

É preciso ter também em atenção a romantização da objetificação da mulher. Neste tipo de obras, a protagonista é frequentemente submissa ao homem. Suavizar situações que deixam milhares de mulheres com traumas profundos e que intensificam a supremacia do género masculino é um passo atrás na sociedade e nas lutas contra as desigualdades de género.

Sempre existiu e continuará a existir livros de Dark Romance. Histórias de romances proibidos servem como escapismo, mas é importante analisar as obras do género com um olhar crítico. Entender o que é, ou não, ético em sociedade e ter em atenção as restrições de idade e os temas abordados, é um passo importante para a discussão de temas no mundo literário.