Ana Elisa Couto é responsável pela origem desta data que se celebra desde 2003.
Neste dia 26 de julho celebra-se o Dia Mundial dos Avós. Assim, é crucial relembrar os abraços apertados, o cheiro da comida caseira, as chamadas desastradas e rápidas, as mãos enrugadas e os cabelos brancos. No fundo, é crucial relembrar este amor tão puro.
Avós, quer longe ou perto, influenciam a vida dos netos. Passando lições de vida e os seus conhecimentos atemporais, deixam marcas intransigentes, a vários níveis de vida. O ComUM esteve à conversa com Maria Flora (64 anos), avó de 10 netos e com dois destes, Pedro (14 anos) e Alexandre (12 anos), com quem têm relações bastante diferentes.
Pedro, como muitos netos, não teve uma presença forte da avó paterna enquanto cresceu, devido à distância. Isto não faz com que a relação não tenha sido importante no seu crescimento, descrevendo-a como uma de muito carinho e solidariedade – “mesmo que não passemos tanto tempo juntos gosto imenso dela.”
Este afirmou que sente falta de não ter a avó tão perto como gostaria e que, portanto, aproveita cada momento ao máximo para matar as saudades. O neto reforçou “para mim o melhor momento é quando estou com ela, tiro as saudades e sinto-me feliz.”
Questionamos ainda Pedro sobre quem teria tido a maior influência na sua educação. O jovem lembrou os avós maternos, com quem vive – “acabam por estar mais presentes no meu dia a dia e a dar-me mais educação.”
Já Alexandre foi criado na casa da avó desde pequeno, tendo assim uma perspetiva diferente do primo. Este confessa ter uma relação muito próxima com a avó, “gosto muito dela e preocupo-me com ela, temos uma relação muito boa”. Relembra com carinho várias memórias ao longo do seu crescimento, como quando era pequeno e ia para o quintal com a avó apanhar “tomates pequeninos” ou “quando (me) compra os meus bolos favoritos.”
Alexandre afirma que crescer com os avós por perto ensinou-lhe muitas coisas. “A minha avó marcou a minha educação em vários aspetos, sou assim por causa deles”, argumentou.
Flora é avó há mais de 19 anos. Depois de todo esse tempo acredita que, apesar de ser a mesma, a forma de ser avó mudou: “Com a primeira, tinha a experiência de ser mãe e tinha a energia. Agora, depois de criar muitos dos meus netos, estou mais cansada e não tenho tanta paciência, mas também tenho mais experiência, porque ser avó é diferente de ser mãe.”
Esta avó, como várias outras, guarda todos os netos num cantinho muito especial do seu coração, mesmo não tendo estado presente igualmente na vida de todos. Assim, admite que a relação com os netos – “É um bocadinho diferente, mas tento mimá-los a todos”.
Quando lhe perguntamos sobre a sua influência na vida dos netos, na sua educação e na sua personalidade, Maria Flora acredita que marcou a vida deles “em tudo o que têm”. Sente que ajudou os netos a tornarem-se nas pessoas que são hoje.
Nesta conversa, Flora lembrou também o seu falecido marido, Manuel, e a sua relação com os netos. “Era ele que me ajudava, ia buscá-los à escola e falava com eles. Eu inventava histórias, porque estive sempre aqui. Ele falava-lhes da vida, e ensinava-lhes muito. Sinto falta dele.”
Como em tudo, há memórias que marcam e que são especiais, mas segundo Flora “a memória que tenho com eles é sempre (especial)”. Como esta avó, muitos avós por este mundo fora marcam a vida dos netos de várias formas. Este dia especial não deve ser o único em que lhes damos valor.


