Atualmente, o cinema popular demonstra-se desesperado por sucessos garantidos para manter a sua relevância. Para tal, recorre à exploração da nostalgia através dos filmes de animação e de adaptações de videojogos.
Enquanto projetos como The Last of Us (2023) e Super Mario: O Filme (2023) surgem como ‘boias’ de salvamento para a cinematografia, nem todas as adaptações conseguem manter o mesmo nível de qualidade. A 9 de agosto, Borderlands, dirigido por Eli Roth, tornou-se um exemplo de que nem tudo que é derivado pelo mundo dos jogos é capaz de salvar vidas no cinema.
Na sua tentativa de capturar a essência da famosa série de videojogos de tiros, Borderlands falha na entrega de uma narrativa envolvente e consistente. O filme desenvolve-se em torno de Lilith (Cate Blanchett), uma caçadora de recompensas que retorna ao planeta Pandora para encontrar a filha desaparecida de um magnata. Contudo, o enredo é transportado por uma série de eventos desordenados e de múltiplos personagens que se assemelham mais a caricaturais do que figuras bem desenvolvidas. Logo na narração inicial, somos confrontados por um spoiler não tão discreto, em que Blanchett revela que a trama que se seguirá é “alguma parvoíce maluca“.
Apesar da evidente tentativa de assegurar a fidelidade ao jogo, a obra limita-se a utilizar visuais e elementos icónicos, na esperança de ativar a memória dos fãs que já experienciaram este universo, sem oferecer uma construção narrativa sólida. A direção de arte adota uma estética visual maximalista, inspirada em Mad Max e Star Wars. Apesar do visual e da decoração excessiva impressionarem pela criatividade, acabam por se tornarem opressivos e distrativos.
Relativamente ao humor, Borderlands é uma faca de dois gumes. Muitas das piadas e referências são direcionadas aos fãs do jogo, e apesar de provocarem alguns sorrisos, diversas vezes acabam por ser pouco memoráveis.
O elenco é de luxo, com Cate Blanchett a liderar o grupo, acompanhada por Ariana Greenblatt, Florian Munteanu, Kevin Hart, Jamie Lee Curtis e Jack Black. Contudo, o resultado final é decepcionante. Apesar dos seus talentos, os grandes nomes do elenco não conseguem superar as limitações impostas pelos seus papéis.
Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, , pediu ao público, durante uma entrevista para o IGN, para dar uma oportunidade ao filme.Mas será que vale mesmo a pena? Borderlands é um banquete para os olhos e pode agradar os fãs do jogo com as suas referências visuais e elementos icónicos, mas falha desastrosamente em proporcionar uma história bem desenvolvida e personagens memoráveis. Para os espectadores que buscam uma adaptação coesa, esta obra pode-se revelar mais como um Titanic cinematográfico: grandioso na aparência, mas com um enredo que deixa muito a desejar.
Título Original: Borderlands
Realização: Eli Roth
Argumento: Amy Nicholson, PH Santos
Elenco: Cate Blanchett, Kevin Hart, Ariana Greenblatt, Jack Black, Jamie Lee Curtis, Florian Munteanu
Estados Unidos da América
2024




