O Dia Mundial Das Línguas Gestuais, que se celebra hoje, dia 23 de setembro, visa promover a identidade linguística de milhões de utilizadores ao redor do mundo.

É comemorado, a 23 de setembro, o Dia Mundial das Línguas Gestuais. A efeméride foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em dezembro de 2017, por proposta da Federação Mundial de Surdos. O principal objetivo é promover a contínua proteção da identidade linguística e cultural dos utilizadores de língua gestual.

Estima-se que haja cerca de 70 milhões de pessoas surdas a viver em todo o mundo. Contudo, nos países mais desenvolvidos, apenas uma média de 0.1% da população, incluindo ouvintes, é falante de língua gestual.

Desde a criação da primeira língua gestual, na França do século XVII, muitas outras foram sendo adaptadas por vários povos. Atualmente, são reconhecidas mais de trezentas, incluindo a língua gestual britânica, americana, australiana e neozelandesa. Apesar de tudo, ainda é longo o caminho a percorrer para que surdos e outros utilizadores de língua gestual sejam totalmente ouvidos. De modo a compreender ainda mais a relevância deste dia, o ComUM esteve à conversa com uma jovem intérprete de língua gestual portuguesa.

Bárbara Barata é licenciada em Língua Gestual Portuguesa pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra, tendo estagiado em contexto escolar e interpretado diversos eventos e conferências. Apesar das incertezas sobre o real alcance da língua gestual, Bárbara é da opinião que as crescentes preocupações com a inclusão possam fazer com que este se venha a expandir. Para isso, sublinha as vantagens da aprendizagem de língua gestual, que vão desde a possibilidade de comunicação com diferentes pessoas à descoberta de uma nova cultura.

Relativamente à importância da celebração do Dia Mundial das Línguas Gestuais, Bárbara destaca as características que as tornam enriquecedoras, alertando para o valor da sua preservação. “Todas as línguas gestuais são diferentes. No entanto, existe um sistema de gestos internacionais que permite que pessoas surdas de todo o mundo comuniquem entre si”, indica. O facto de a origem das línguas gestuais ser distinta da das línguas verbais é igualmente realçado por Bárbara, que partilha que “a língua gestual sueca é a mãe da língua gestual portuguesa” (LGP).

“A LGP tem uma estrutura própria. A organização das frases é feita de forma diferente, (sujeito-objeto-verbo)”, aponta Bárbara. “Para além disso, a expressão não manual também é muito importante na língua gestual.”