Hoje, 15 de setembro, celebramos 125 anos desde o nascimento de uma das autoras mais icónicas de crime, Agatha Christie. Natural da Grã-Bretanha, foi autora de cerca de 130 obras entre romances, mistérios, peças, policiais e contos, algumas sobre o pseudónimo Mary Westmacott. Em 33 destas obras aparece o detetive belga “Hercule Poirot”, considerado um dos mais notáveis personagens de ficção. Em janeiro de 1976, a “Rainha do Crime” ou “Duquesa da Morte” faleceu, no entanto, o seu legado é celebrado em mais de cem línguas.
Nascida em 1890, Agatha Mary Clarissa Miller, provinda de uma família rica, passava maior parte da sua infância a escrever poemas e contos. Em 1912, conheceu o Coronel Archibald Christie, com quem se casou e de quem adotou o sobrenome. Durante a primeira Guerra Mundial, foi voluntária num hospital como enfermeira e funcionária de farmácia. Esta experiência mostrou-se fundamental parra as suas obras, dando-lhe conhecimento sobre venenos (forma de assassinato comum nos seus livros).
O seu primeiro livro começou por ser um desafio da irmã Madge, onde ela tinha de escrever uma história policial onde o leitor não descobrisse a identidade do assassino até ao final. Assim surgiu “O Misterioso Caso de Styles” (1920), nome inspirado na casa da própria autora, o primeiro caso de Poirot. Este personagem tornou-se o protagonista de uma série de livros, sendo imediatamente reconhecível pelo seu chapéu e bigode. Outra personagem muito conhecida nos livros de Christie é Miss Jane Marple, uma velhinha detetive com um conhecimento profundo da natureza humana. A sua estreia deu-se no livro “Crime no Vicariato” (1930), chegando a ser protagonista em 12 livros.
Em 1926, depois de descobrir do caso do marido com a sua secretária, Agatha desapareceu por onze dias. O seu carro foi encontrado abandonado com as luzes ligadas e uma mala. Esta tornou-se uma notícia grande, tendo até Sir Arthur Donan Coyle ajudado na busca da autora. Ambos o marido e a sua amante eram suspeitos, havendo a teoria que Christie havia sofrido o destino de uma das suas personagens.
Dez dias depois da fatal noite, a escritora foi encontrada num hotel sob um nome falso, aparentemente com perda de memória. Este caso é ainda contestado, sugerindo as razões do desaparecimento um colapso nervoso ou um esquema publicitário. Depois de se divorciar, Agatha casou-se com Sir Max Mallowan e nunca mais falou sobre o acontecimento, nem na sua autobiografia.
Como o seu marido era arqueólogo, Christie pode viajar pelo mundo, onde se inspirou para escrever vários livros como “Morte na Mesopotâmia” (1936), “Morte no Nilo” (1937) e “Um Crime no Expresso Oriente” (1934), sendo este um dos seus livros mais famosos, tendo sido adaptado a cinema, teatro e televisão. Apesar de ser conhecida pelos seus livros policiais, Agatha Christie também escreveu 17 peças de teatro, entre elas “A Ratoeira” (1951), é a mais popular e a peça mais encenada na história do teatro, e também “Testemunha de Acusação” (1953).
Com 56 anos de carreira, Christie é considerada uma das maiores autoras de policiais de todos os tempos e foi certamente reconhecida por tal. Em 1956, recebeu o título de Commander of the British Empire e, em 1971, a Rainha Isabel II de Inglaterra consagrou-a com o título de Dame do Império Britânico. Agatha Christie será sempre relembrada na história da literatura, pois além dos seus títulos, a autora é também a romancista mais bem sucedida da história em número de livros vendidos – apenas ficando atrás de William Shakespeare e da Bíblia.





