A 20 de setembro de 2024, Katy Perry apresentou o seu novo trabalho, 143, o sétimo álbum de estúdio da cantora americana, lançado pela Capitol Records. O título, que representa a expressão “I love you” no código numérico popularizado nos anos 90, simboliza também o “número angelical” de Perry, refletindo o tema central de amor e autocuidado que ocorre na obra. No entanto, apesar das intenções ambiciosas, o álbum não conseguiu atingir o impacto esperado nem pela crítica, nem pelos fãs.

Midres

A artista, que fez uma pausa desde o seu último álbum Smile (2020), regressou com a promessa de um trabalho inspirado pela sua recente maternidade e carregado de energia positiva. Katy Perry reuniu uma equipa de produção que incluiu colaborações com Max Martin, Stargate e o controverso Dr. Luke, cujo envolvimento no projeto foi alvo de críticas pelas acusações de assédio feitas por Kesha.

Musicalmente, 143 propõe-se como um álbum de pop e dance-pop, com influências de europop, que, segundo Perry, tinha o objetivo de ser uma “festa dançante”. No entanto, os três singles lançados, WOMAN’S WORLD, LIFETIMES e I’M HIS, HE’S MINE, não conseguiram criar entusiasmo do público, nem desenvolver o sucesso do álbum. Woman’s World, o primeiro single, foi particularmente criticado pela sua letra simplista e pela tentativa forçada de abordar temas feministas de forma pouco inovadora. Deixou a sensação de ser uma faixa datada.

O disco foi criticado por críticos e fãs, que o descreveram como criativamente estagnado, com letras vazias e uma produção genérica. Os temas abordados, que incluem o empoderamento e o amor, foram considerados como abordagens pouco substanciais, e as canções, em geral, foram vistas como previsíveis. Músicas como GIMME GIMME e CRUSH foram classificadas como monótonas e repetitivas, sem o desenvolvimento necessário para cativar o ouvinte. I’M HIS, HE’S MINE foi apontada como um dos pontos baixos do álbum, com uma letra superficial que se distancia do auge criativo de Perry nos anos anteriores.

Apesar de 143 incluir colaborações com alguns artistas de renome, como Kim Petras, 21 Savage e Doechii, os convidados não conseguiram elevar as músicas ao nível esperado. GORGEOUS , com Kim Petras, foi descrita como uma tentativa falhada de electro-pop. Por outro lado, a canção WONDER destacou-se ligeiramente, sendo uma das poucas faixas a apresentar alguma autenticidade emocional. Contudo, a faixa não conseguiu salvar o álbum de um tom geral de mediocridade.

Críticos de plataformas como The Guardian e The Daily Telegraph não pouparam nas palavras. Consideraram o álbum uma “falsa tentativa de revivalismo” e uma coleção de faixas que, apesar de ouvir-se casualmente, tornam-se desinteressantes ao analisar as letras. Alguns compararam  a  sonoridade do projeto de Perry à de músicas geradas por inteligência artificial, sugerindo que a produção falhou em capturar espontaneidade e originalidade.

Com uma receção crítica desastrosa e uma estreia tímida nas tabelas de vendas (o álbum estreou no sexto lugar nos EUA e no Reino Unido), 143 parece representar um momento difícil na carreira de Perry, que com outros trabalhos dominou os tops de música pop com álbuns como Teenage Dream (2010) e Prism (2013). É consenso geral que o projeto marca o ponto mais baixo da discografia da cantora.

143 tenta atingir os tempos de ouro de Katy Perry, mas falha ao não evoluir com as tendências atuais da música pop. A artista, que já foi uma das vozes mais dinâmicas do cenário pop mundial, parece ter-se perdido entre sons genéricos e letras sem profundidade, fazendo com que o disco seja lembrado mais pelas controvérsias do que pela qualidade musical. O público e os críticos esperam que a artista reencontre o seu rumo artístico e que o álbum seja uma oportunidade perdida para reviver a carreira da ex-rainha do pop.