Neste Halloween, Halsey lançou o grande esperado álbum The Great Impersonator. O seu quinto álbum de estúdio, e primeiro com Columbia Records, foi concebido como se fosse o último projeto da artista após ter sido diagnosticada com lúpus e cancro. É um conjunto de reflexões sobre as lutas com a vida e a morte, colocadas sob a lente das diferentes eras musicais, desde da década de 70 aos anos 2000. Para promover o projeto, Halsey postou diariamente a sua recriação de um ícone que a definiu, como Dolly Parton, David Bowie, e Britney Spears.

Sarah Pardini

Abandono, crise de identidade, doença, ansiedade, vida familiar e morte são alguns dos temas presentes no álbum O disco foi fortemente influenciado pelos desafios que a artista tem passado nos últimos anos, como a separação com o parceiro depois do nascimento do seu filho e os diagnósticos médicos. As letras são extremamente brutais, duras e reveladoras, acompanhadas por harmonias divertidas, focando-se na autenticidade e honestidade. Musicalmente, abrange pop, rock e folk, imergindo-nos nos artistas e décadas que cada música representa.

Halsey usou o  projeto para honrar 18 artistas que a moldaram.Cada música é uma homenagem à influência musical através do som, vocais e estilo. Um dos destaques é “Panic Attack, onde a artista incorpora Stevie Nicks. A faixa transmite a essência dos Fleetwood Mac, com os vocais místicos, guitarra, percussão e produção vintage, enquanto Halsey expõe a sua vulnerabilidade.

No registo das baladas lentas e líricas,Letter to God” (1983) captura o estilo de Bruce Springsteen, transmitindo uma introspetiva de coragem. A música Dog Years, uma ode brilhante a PJ Harvey, é dramática e desafiante, enquanto crua emocionalmente. O single mais reconhecível é, certamente, Lucky, que interpola a música de Britney Spears do mesmo nome.  É  uma reinterpretação do clássico dos anos 2000, onde a cantora dá uma perspetiva mais tenebrosa, mergulhando nos desafios e sentimento de isolação que estrelas sentem.

Num género alternativo, temos as músicas Lonely is the Muse, inspirado na estética obscura de Amy Lee com uma perspetiva gritante, e “Life of the Spider (Draft), que entra no mundo de Tori Amos. É descrita pela artista como a “música mais triste que escrevi na vida”. Darwinism surge  como um tributo a Bowie e Radiohead, e revela-seuma composição verdadeiramente arrepiante e perturbadora. Combinando a solidão e o pânico existencial nas letras metafóricas, começa com a analogia de “There’s lots of fish out in the pond” depois de uma separação, chegando a ficar presa numa repetição assustadora: “You all know something that I don’t / You all learned something that I fear I’ll never know / You all grew body parts I fear I’ll never know”.

Em “The End”, a história abraça o sombrio com os acordes folk e humor agridoce, homenageando Joni Mitchell. Ainda com as letras melancólicas descrevendo diretamente a doença da artista, a música consegue ser o momento mais doce do álbum. Esta é a única faixa escrita como uma conversa com alguém importante que a ama e apoia, em vez de uma pessoa do seu passado amargo. A música acaba com um pedido vulnerável “Could you pick me up at eight? / ‘Cause my treatment starts today”.

Com os vários colaboradores (como Alex G, Michael Uzowuro e Emile Haynie), The Great Impersonator é uma exploração das influências de Halsey, misturando géneros e tons de forma imprevisível. Os elementos são perfeitamente incorporados, misturando conteúdos pesados com melodias harmoniosas, que suavizam o sombrio. Com este projeto, a artista abre um novo capítulo na sua vida, capturando a beleza e caos da vida enquanto elevando as vozes que vieram antes dela.