Inauguração das exposições “Canções para um burro morto” e “Milangro” no Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

No dia 7 de dezembro, por volta das 21h30, foi inaugurado o programa noturno do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG). O evento alojou a exposição “Canções para um burro morto” de Mauro Cerqueira e “Milangro” de Flávia Vieira, que permanecerão no museu até dia 27 de abril de 2025, com entrada gratuita.

A cerimónia de abertura foi marcada pelo discurso de agradecimento de Marta Mestre, atual diretora artística do CIAJG, para toda a equipa da instituição. Um momento especial, pois foi a sua última inauguração antes da sua saída, no dia 31 de dezembro. O objetivo desta exposição, segundo João Terras (curador da exposição “Canções para um burro morto”), foi “chamar artistas que fossem disruptivos, que trabalhassem às margens, que trabalhassem no lugar descentralizado da arte”.

O evento seguiu ao som do DJ set de System Sophie, projeto de música exploratória de Sofia Ribeiro e do DJ OTSOA, fundador da editora de música Mera Label e do Coletivo Ócio.

A exposição “Canções para um burro morto”, localizada no piso 0, é uma retrospetiva de vários trabalhos de Mauro Cerqueira, nascidos das suas duas últimas viagens a Marrocos e da sua vontade de dar nome e corpo a lugares indefinidos, histórias paralelas e anónimas. Destas, resultaram inúmeras obras plásticas, jogos de luzes com espelhos, dois filmes (e ainda outro em desenvolvimento) e dez canções, que se apresentam de forma omnipresente no interior da exposição. Os filmes foram o centro da exposição, exibidos em diversos formatos, como uma tela de cinema e ecrãs de caixa preta, que faziam lembrar televisões antigas. O ComUM falou com João Terra, para entender melhor o objetivo do artista e a intenção por trás de uma obra em específico, os “Espelhos”. O mesmo revelou que “é a primeira vez que os estamos a ver desta maneira, com um foco de luz, dialogando precisamente com esses reflexos”, pois estes geralmente são exibidos “a céu aberto, ou seja, com a luz ligada, espelhos a cruz e sem reflexos”.

Já no piso 1, a exposição “Milagro” de Flávia Vieira criou um diálogo aberto e contingente com os artefactos pré-colombianos da coleção do CIAJG. Alguns dos objetos da coleção de José de Guimarães foram deixados expostos “para que esta peça conseguisse conversar diretamente com os objetos”, palavras da artista sobre os pigmentos que estavam exibidos no chão de uma das duas salas onde o seu trabalho se desdobra. A sua obra foca-se bastante na cor, sobretudo no uso das mesmas nos contextos culturais das sociedades das culturas Inca, Chimú, Chancay, Moche, Azteca, Nicoya, Misteca, Talamameque e Nayarit. A exposição também contou com a presença de máscaras, esculturas de cerâmica e diversos materiais têxteis.

No dia seguinte, às 15h00, realizou-se uma visita-conversa com o artista Mauro Cerqueira e o curador João Terras, cuja entrada também foi livre.