O primeiro dia do mês de dezembro sinaliza a importância da volta de Portugal como nação independente depois de 6 décadas de ocupação espanhola.

O Dia da Restauração da Independência é celebrado anualmente a 1 de dezembro. A data é marcada por eventos culturais que assinalam a comemoração e pela colocação de coroas de flores no Monumento aos Restauradores, em Lisboa.

No ano de 1580, o território português foi anexado pela coroa espanhola após uma crise de sucessão desencadeada pela morte do rei D. Sebastião e do seu sucessor. O governo do país foi dominado pelos monarcas espanhóis, afirmando a unidade política que regeu a Península Ibérica após a Guerra da Sucessão Portuguesa.

A Restauração da Independência foi resultado deste período de grande descontentamento da população, insatisfeita com a União Ibérica. Na época, Portugal enfrentava a perda da sua autonomia política, sendo ainda envolvido nos conflitos da Espanha. O impacto negativo recaiu sob as possessões ultramarinas e a economia portuguesa, com uma sobrecarga significativa de impostos.

Em entrevista ao ComUM, Manuel Igreja, professor de história aposentado, discorre que as principais consequências deste domínio espanhol foram a perda da maior parte do comércio colonial a países como França, Inglaterra e Holanda, além da a “subordinação do poder político ao domínio estrangeiro”. O académico menciona ainda o aumento dos impostos sobre a população portuguesa como uma forma de sustentação das “guerras de afirmação do poderio espanhol face a outras potências europeias”.

De acordo com o professor, “a perda de direitos e regalias das classes privilegiadas, sobretudo a burguesia mercantil e a nobreza” também pode ser destacada como uma das consequências enfrentadas pela população portuguesa na altura. Igreja afirma que os responsáveis pela revolução de 1 de dezembro aproveitaram “o facto da Espanha se encontrar envolvida na tentativa de sufocar as revoltas independentistas emergentes da Catalunha” para iniciarem as reivindicações da independência.

Questionado sobre a importância da restauração da independência, Manuel destaca que esta representou, em primeiro lugar, “o regresso do país à normalidade como nação independente e o restabelecimento dos direitos básicos de qualquer nação soberana”. Abrindo caminho para a recuperação de grande parte do comércio colonial e dos territórios perdidos durante o domínio espanhol, o professor aponta “um período de lenta recuperação da economia portuguesa, profundamente prejudicada” na época.

Apesar disso, Manuel esclarece que a “Restauração da Independência não significou o fim dos conflitos com Espanha”. Isto porque “as guerras da restauração estenderam-se durante décadas até a assinatura em Madrid, em 1668, da paz definitiva entre Portugal e Espanha”, informa.

O impacto do restabelecimento da soberania portuguesa atingiu não somente a cultura, como também a identidade nacional do país. O docente alega que a influência do movimento incidiu sob “diferentes domínios”, como a “arquitetura militar”, a “estabilização e o reforço do papel da elite militar na vida portuguesa”. A recuperação do “prestígio econômico” e da “relevância política de nação independente” tornaram-se repercussões fundamentais para o “reforço das relações externas” de Portugal, declarou Igreja.

O dia 1 de dezembro assinala a Restauração da Independência em Portugal, afirmando a soberania do país após a crise da União Ibérica. A importância do dia é evocada pelo feriado nacional, que celebra um dos movimentos revolucionários mais significativos da história portuguesa.