Eric J. Brown fez a sua estreia no mundo da literatura com All That’s Left in The World (2022). A história acontece numa realidade distópica e segue um romance queer, sendo esta a especialidade do autor norte-americano. O livro ganhou o prémio de Escolha do Leitor UK Books Are My Bag, foi nomeado aos prémios Goodreads Choice, Waterstone’s Children’s Book e 2023 Yoto Carnegie, e foi selecionado como um Junior Library Guild Gold Standard.

Erik J. Brown

O livro acompanha dois rapazes, Andrew e Jamie. Nesta realidade, 70% da população mundial foi eliminada por uma supergripe, pior que o COVID ou qualquer outra pandemia. Andrew está sozinho a vaguear pelo mundo. Quando se magoa, depara-se com a cabana de Jamie. Este está isolado mas cheio de recursos, por isso concorda em ajudar o pobre rapaz. Ao longo da recuperação de Andrew, os adolescentes formam uma amizade, tendo, depois, embarcado juntos numa jornada pelo país. A sua aventura prova-se difícil com vários desafios e perigos. No entanto, também traz benefícios, pois eleslo ficam mais próximos e os sentimentos entre eles crescem.

A história é escrita nas perspetivas de ambas as personagens, alternando os capítulos. Andrew é uma pessoa bastante animada por fora, mas com muitas ansiedades por dentro, tornando os seus capítulos interessantes. No diálogo, ele faz várias referencias a pop culture e piadas cringe, que, ao ler o seu pov, sabemos ser um mecanismo de defesa. No lado de Jamie, vemos um rapaz a autodescobrir-se no meio do apocalipse. Ao começar a gostar de Andrew, ele lentamente abandona o seu antigo ser, tornando-se numa versão melhorada e complexa dele mesmo.

“Fazes-me sentir seguro. Como se o mundo não tivesse acabado e não houvesse mais nada. Porque te tenho a ti.”

Apesar de ser um apocalipse, não existe um “monstro” real para lutar. A doença não transforma as pessoas em zombies, como em muitos livros do género. Durante a viagem, eles deparam-se com sobreviventes da doença. Encontram pessoas “boas”, que os ajudam, mas também encontram pessoas “más”, que os tentam matar para sobreviver. Um exemplo que demonstra a crueldade dos humanos é o grupo religioso ultra-conservador que encontram.

Este consiste em pessoas que estão a tentar reconstruir a sociedade de acordo com ideias de ódio como racismo e homofobia. Apesar de isto ser uma crítica relevante do livro, é uma preocupação realista e fácil de acreditar. O autor contrasta as preocupações e brutalidades do mundo pós-apocalíptico com a relação doce dos rapazes. Estes nunca perdem a esperança que vão encontrar um sítio bom e pacífico para viver juntos. A amizade cresce para amor de uma maneira doce e verdadeira. Ambos hesitam devido às dificuldades e ao passado de dor, mas acabam por criar uma dependência e amor forte.

All That’s Left In The World (2022) é uma história romântica pós-apocalíptica queer que vai tocar a todos no coração, especialmente depois de experienciar uma pandemia. São páginas cheias de esperança, amor, dor, luta, sacrifício, emoção e perda. A história de Jamie e Andrew é um lindo romance, continuado na sequela The Only Light Left Burning (2024).