Braga é a Capital Portuguesa da Cultura 2025. Durante 12 meses, a cidade dos arcebispos abre a porta a vários tipos de manifestações artísticas, desde atuações musicais, peças de teatro, exposições, workshops e sessões de discussão cívica, com figuras nacionais e de outros países.

No primeiro editorial que escrevi para o ComUM, abordei a necessidade de o poder local investir na cultura em nome pelas oportunidades económicas que proporciona e a natureza humana associada. A escolha de Braga como capital nacional da cultura este ano é um prémio e uma oportunidade para a cidade e para a região.

Considero, desde logo, que a descentralização da cultura é um sinal positivo a destacar. Ainda hoje, os grandes projetos culturais estão concentrados em Lisboa e no Porto. Muitos não virão a Braga apenas para ver a cidade “por um canudo”, mas para desfrutar de um completo programa artístico e cívico.

A “internacionalização” dos eventos – Braga 25 acolhe, a título de exemplo, uma exposição de Kim Gordon, baixista dos Sonic Youth, ícones do noise rock – salienta-se na programação de Braga 25. Mas há um lado da iniciativa, que convida as pessoas a conhecer a história da cidade e a sua evolução, que, a meu ver, é extremamente positivo.

Num período em que a assimilação cultural das grandes companhias americanas não perde gás, a valorização da história e da tradição que nos é mais próxima não pode ser esquecida. É possível acompanhar estas “amostras de reflexão” em pontos deslocalizados da cidade, como o Mercado Municipal, que entre 1 de março e 15 de abril acolhe a exposição de fotografia “Braga: rosto em mutação”, com base nos registos audiovisuais do arquivo do município.

Os apoios que chegam do Estado para as iniciativas culturais é manifestamente insuficiente. Isso reflete-se no baixo rendimento dos seus trabalhadores. Com isso, os projetos fora das principais áreas urbanas veem a sua sobrevivência ainda mais desafiante. Braga 25 é uma oportunidade de envolver as companhias da região e dar a conhecer o trabalho que têm desenvolvido com parcos recursos.

A abertura dos eventos deste programa a vários géneros e públicos revela a ambição dos seus coordenadores em fazer de Braga um verdadeiro polo artístico em 2025. Envolver os cidadãos comuns neste projeto é um desafio e é importante controlar as expectativas. Mas o principal desejo será sempre que Braga deixe a porta aberta à cultura.