O programa de lançadores suborbitais visa desenvolver e testar sistemas que sobem até 100 quilómetros de altitude nas fronteiras da atmosfera terrestre.

Com o lema “North – a direção para onde normalmente aponta a agulha da bússola”, aludindo ao papel do Norte de Portugal no setor aeroespacial, a iniciativa pretende reforçar a investigação e economia nacionais na área, lançar novas soluções científico-tecnológicas e formar engenheiros “altamente qualificados”, refere a Universidade do Minho (UMinho) em comunicado. O projeto envolve uma parceria da instituição de ensino com a Força Aérea Portuguesa e a empresa aeroespacial Omnidea.

O programa vai decorrer na Escola de Engenharia da UMinho, em particular no edifício destinado à engenharia aeroespacial na Fábrica do Arquinho, em Guimarães, e na pista de aviação do Alto Minho – Cerval, em Vila Nova de Cerveira e Valença, com a instalação do centro de testes e lançamento. Estudantes, investigadores e professores da UMinho e da Academia da Força Aérea terão uma participação ativa na implementação do projeto.

O programa North “envolve tecnologia de propulsão híbrida em desenvolvimento na UMinho e visa a construção de lançadores com características inovadoras ao nível da propulsão híbrida, de estruturas reutilizáveis leves ‘low-cost’ e da navegação de trajetória precisa”, explica o comunicado. “Estes veículos espaciais são projetados para atingir altitudes nos limites da atmosfera terrestre, mas sem entrar em órbita em redor do planeta. Seguem uma trajetória balística, subindo até um ponto máximo, antes de retornar à terra devido à gravidade.”

Os lançadores começam por ser sistemas simples (estágio único) que deverão evoluir para sistemas supersónicos e, mais tarde, multiestágio. Nesta fase, parte do dispositivo é descartada no voo, permitindo uma curva de ascensão mais eficiente.

No âmbito do projeto, o Núcleo de Alunos de Engenharia Aeroespacial da UMinho vai participar na European Rocketry Challenge (EuRoC), a primeira competição de lançamento de foguetes entre estudantes do ensino superior na Europa. Criada em 2020, a iniciativa promove a inovação e o desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais.

O coordenador da iniciativa e diretor do curso de Engenharia Aeroespacial na UMinho, Gustavo Rodrigues Dias, acredita que este é “um passo significativo” para o posicionamento da instituição como “centro de excelência na área”. Esta distinção está na base da “investigação aplicada e tecnologia de suporte com materiais avançados, sensores, sistemas de navegação ou componentes de lançadores”, bem como pelo ecossistema de inovação da UMinho, “que alinha ‘stakeholders’, estimula novas ‘start-ups’ e projeta o país neste âmbito”.

Para o chefe do Estado-Maior da Força Aérea, João Cartaxo Alves, o North “é mais um passo na conquista de novas capacidades e no compromisso com a investigação”. “O sucesso da segurança e defesa de Portugal só podem ser alcançados através da ação integrada de múltiplos domínios operacionais, dos quais se incluem o ciberespaço e o espaço”, remata.