Luís defende uma posição mais próxima entre os líderes de ambas as listas.
Luís Guedes encabeça a Lista A: a tua perspetiva, o nosso compromisso. Luís detém, atualmente, o cargo de presidente da Associação Académica da Universidade do Minho e apresenta agora a sua candidatura ao Conselho Geral da Universidade do Minho para o mandato de 2025-2027. O ato eleitoral realiza-se no próximo dia 19 de março, com o direito de voto a poder ser manifestado através da plataforma e-votum. Em entrevista ao ComUM, o líder da Lista A apela aos estudantes para que “ganhem gosto” pelos processos democráticos que “são tão importantes para a nossa instituição”.
ComUM- Quais são os principais objetivos da candidatura da Lista A?
Luís Guedes- Como diz o nosso slogan: a tua perspetiva, o nosso compromisso. Todos nós queremos tentar chegar da forma mais ágil possível àquilo que é a real opinião dos estudantes da nossa universidade, sobre aquilo que são os principais problemas e perspetivas para o futuro e para a atualidade do ensino superior, mais especificamente da Universidade do Minho, obviamente. Temos um panorama complexo aqui na Universidade do Minho. Temos três campi, mais um edifício dos Congregados, temos os estudantes divididos em duas cidades, temos um sistema de transportes que liga as duas realidades diferentes, temos dificuldades de alojamento diferentes nas duas cidades, portanto acaba por ser um panorama mais complexo do que em muitas das outras universidades pelo país fora e nesse sentido procuramos sempre seguir algumas das coisas que nós, a Lista A, achamos que são basilares da realidade do ensino superior. Temos aqui a questão do reforço da ação social, do alojamento, do acesso ao desporto e à cultura, a questão da alimentação, temos a prossecução do ensino superior público progressivamente gratuito, democrático e acima de tudo de qualidade, e depois algumas questões: como a parte da inclusão, uma maior acessibilidade nos campi de forma transversal e também o caminho para a inovação pedagógica, para a internacionalização da universidade, tentar sempre relembrar aqueles que são os pilares da nossa universidade, aquilo que é a base sobre a qual foi construída e o quanto também os estudantes contribuíram para a região do Minho e a valorização que deve existir também do meio envolvente, porque o Conselho Geral não é só universidade, é também universidade e a sua relação com o meio envolvente. Neste caso as cidades de Braga e Guimarães, mas toda a região do Minho com um global.
ComUM- Uma das medidas que a Lista A defende é o ensino do ensino superior público gratuito. Como pretendem começar a trabalhar para alcançar isto?
Luís Guedes- Esta questão é sempre difícil e na minha perspetiva é uma daquelas reivindicações que deve ser firme, deve ser assente e constante ao longo do tempo. Eu acho que foi só assim que conseguimos reduzir as propinas para 897€, que eu lembro-me que foi mais ou menos nessa altura que entrei para universidade, e depois a redução posterior de 897 para 697. Acho que foi só através desta lógica constante, ou seja, das estruturas estudantis e de todas as entidades que representam os estudantes terem de forma firme e assente que o seu objetivo, e tal como consta na Constituição portuguesa, é que o Ensino Superior seja público, de uma forma progressivamente gratuita. Devemos sempre caminhar nesse sentido, lembrando a tutela, relembrando os governos eleitos de forma estável e frequente, que deve ser nesse caminho que caminhamos. Atualmente temos um panorama um bocado mais complicado, não há soluções fáceis para a gratuitidade. É uma decisão quase inteiramente política e devem ser os políticos a ser pressionados para se caminhar neste sentido. Tinha resultado, a propina estava congelada no valor já mais baixo, bastante mais baixo do que anteriormente, e estava congelada já há alguns anos. Agora vemos uma pequena ameaça, com o então ministro, Fernando Alexandre (agora não sabemos bem como é que vai ficar o governo), mas o ministro ameaçou o descongelamento das propinas para o ano letivo de 26/27, se não me engano, e é uma coisa que nos assusta e dá ainda mais relevância àquilo que é o papel de um estudante no Conselho Geral, que é, mais uma vez, também reivindicar, tal como dissemos na passada sexta-feira, quando votamos a fixação do valor das propinas. É dar a sua opinião e acima de tudo reivindicar para que esta propina tenha a tendência para descer e não para estagnar. Há também a questão da propina dos internacionais, em que há ainda um trabalho gigantesco para fazer e também na propina do segundo e terceiro ciclo, em que é preciso uma fixação urgente daquilo que são os tetos máximos para estes ciclos de estudos, senão caminhamos rapidamente num sentido um bocado perigoso, de segregar de alguma forma os estudantes menos capacitados financeiramente para ir para o segundo ciclo. Hoje em dia é quase uma obrigatoriedade para a sobrevivência no mercado de trabalho, como sabemos, e é preocupante de facto, esta não fixação.
ComUM- Defendes que a Lista A é mais capaz por já conviver com este tipo de questões graças à presidência da Associação Académica. A acumulação dos dois cargos pode prejudicar o empenho e atenção que é dirigida a cada um deles?
Luís Guedes- Se acho que pode prejudicar? Julgo que não, porque já há uma pré-capacitação para os assuntos que são discutidos no Conselho Geral. No meu caso pessoal, sendo presidente da Associação Académica, já convivo com muitos dos tópicos numa base diária e já vou construindo aquilo que é a minha opinião pessoal enquanto dirigente da estrutura. Vou construindo à medida que o trabalho vai desenvolvendo. Depois na questão da preparação do Conselho Geral, é uma questão de apresentar aquilo que são as orientações que eu fui percebendo até à data, perceber junto de outras pessoas as suas perspetivas, misturá-las e fazer uma posição conjunta, que é esse o objetivo também de uma lista do Conselho Geral. Não é que sejam só os efetivos, ou os quatro eleitos, ou três eleitos, a dar a sua opinião, é sim que toda a lista seja envolvida. Se a lista é candidata com base num pressuposto que é uma lista representativa da comunidade estudantil, então tem de ser mantida de forma ativa ao longo dos dois anos e, sempre dentro do possível, manter as pessoas envolvidas e a dar a sua opinião e contributos. A questão aqui da ligação entre a Associação Académica e o Conselho Geral. Já houve alturas em que os representantes de organizações estudantis tinham um assento nesta estrutura por defeito. Agora não é assim, desde 2007, desde o RJIES, mas eu defendo que, um estudante da Associação Académica, no caso o presidente, tem uma posição privilegiada, de alguma forma ter acesso a muita informação e está no meio de muita discussão que, se calhar, o estudante normal, que não está tão envolvido, não tem acesso. Isso acaba por permitir que consiga construir, de uma certa forma, a sua opinião e tocar mais num ponto, até por vezes de uma suave, do que outro estudante conseguiria. Acho que esta postura de privilégio tem de ser aproveitada em prol dos estudantes sempre e excluir que possa haver conflito de interesses. Parece me que não é bem uma realidade, porque o objetivo da Associação Académica também é muito claro e está inscrito mesmo nos seus estatutos, assim como está nos estatutos da Universidade do Minho. É defender os interesses de todos os estudantes. Se é para sermos candidatos ao Conselho Geral, então porque não da estrutura central? Da estrutura que defende todos os estudantes e todas as estudantes e conhece todas as realidades.
ComUM- Miguel Martins, que encabeça a Lista B, referiu-se à Lista A, numa publicação de Instagram, como “a lista que o reitor gosta” e que “está no Conselho Geral de forma passiva”. Como é que encaras estas afirmações?
Luís Guedes- Eu e o Miguel já partilhamos o palco nos plenários do Conselho Geral neste último ano. O Miguel faz uma afirmação ousada, sem fundamento, na minha opinião. Acho que ser uma lista da qual o reitor gosta não me parece muito lógico. A Lista A, de 2023 até 2025, sempre fez o seu trabalho de reivindicação. O Miguel apela e afirma que fez um trabalho mais intenso de reivindicação. Se calhar fez de forma mais sensacionalista, na minha opinião. Se fez mais ou menos, acho que isso não é fácil de quantificar. Reconheço o trabalho dele enquanto representante dos estudantes no Conselho Geral, também já o afirmei no debate da passada sexta-feira. Sendo os dois eleitos, que é uma possibilidade bastante real, eu e o Miguel ficarmos novamente a partilhar aquilo que é o plenário do Conselho Geral, enquanto representantes dos estudantes, acho que devíamos ter uma relação mais próxima e dialogar e ter posições conjuntas. Desde que eu entrei ainda não vi essa predisposição por parte do Miguel, mas eu tenho-a. Já afirmei publicamente e reafirmarei as vezes que for preciso. Acho que temos de trabalhar em conjunto, somos ambos representantes dos estudantes e estes ataques, não só fragilizam aquilo que é a posição do Miguel e a minha posição, porque fragiliza um processo democrático, mas também a instituição e a própria discussão que pode depois ser tida no Conselho Geral. Quantos mais estudantes desacreditarem ou ficarem desacreditados neste processo por causa das afirmações do Miguel, mais acabará por ferir o processo, do que dar algum contributo que seja. Não concordo com as afirmações e uma lista que o reitor gosta, só a lista com a qual o reitor eventualmente foi candidato de professores e investigadores. As restantes acho que acabam sempre por lhe maçar um bocado a cabeça e é esse papel no Conselho Geral de qualquer lista de candidatos. Reivindicar mais e chamar à tona problemas reais da universidade.
ComUM- Durante as eleições deste ano para a presidência da Associação Académica, a abstenção voltou a subir. Qual é que esperas que seja o caso para as eleições do Conselho Geral?
Luís Guedes- Face às eleições da Associação Académica, acho que é sempre difícil ter um resultado de abstenção mais baixo nas eleições do Conselho Geral. As eleições para a Associação Académica movimentam sempre mais gente. Também pela dimensão das listas. Uma lista candidata à direção tem 35 pessoas e uma lista candidata ao Conselho Geral de estudantes tem 12. É muito mais gente envolvida, principalmente se houver oposição para todos os órgãos. O presidente da Associação Académica até acaba por ser eleito com uma taxa de abstenção muito menor do que qualquer representante de estudantes no Conselho Geral. Acho que a abstenção é um bocado o espelho do que o trabalho de campanha faz para reduzir. No caso, a campanha da Lista A foi uma campanha forte, estivemos presentes nos campi todos, fizemos sessões de esclarecimento. Numa, infelizmente, não tivemos ninguém a aparecer, mas hoje estivemos em Guimarães e tivemos pessoas, tivemos oportunidade de esclarecer dúvidas, tivemos um debate que teve streaming e depois nós também temos o nosso manifesto disponível online. Andamos a distribuir alguns stickers e cartazes e garantimos que conseguimos falar com o máximo de estudantes possível.
ComUM- Acreditas que ambas as listas fizeram tudo o que estava ao seu alcance para contactar com o máximo de estudantes possível?
Luís Guedes- Eu acredito que ambas as listas reconhecem o valor da campanha e reconhecem a oportunidade que é, nesta fase prévia, dinamizar ao máximo e explicar ao máximo de pessoas possível aquilo que é o processo do Conselho Geral. Não acompanhei de perto a campanha da Lista B, ou seja, vi as publicações do Instagram e não me pareceu haver grandes ações promocionais físicas. Fizeram o seu trabalho através das redes sociais, tal como nós também fizemos, mas nós fomos um bocadinho além. Tivemos as sessões de esclarecimento, tivemos a publicação do nosso manifesto logo no início da campanha eleitoral para que estivesse disponível cedo, para toda a gente se poder informar e tirar as suas dúvidas. O Miguel acho que preferiu fazer o oposto. Veremos qual é que será o melhor resultado. Sei que nós fizemos os possíveis, sei que o estudante precisa também que haja esta vontade e aquela atividade de ir atrás do estudante e de explicar efetivamente quais é que são os processos que os envolvem.
ComUM- Numa nota mais pessoal, existiu alguma motivação específica que te levou a assumir a liderança da Lista A?
Luís Guedes- Sinto-me, nesta fase, e por natureza dos meus trabalhos e proatividade ao longo dos seis anos de universidade, numa fase em que estou plenamente capacitado para discutir quase todos os assuntos que tenho visto a surgir no Conselho Geral. Sinto-me numa posição, mais uma vez, de privilégio, com o conhecimento do que acaba por me cair em cima e pelas posições todas que tenho oportunidade de tomar. Tenho uma visão também que acho importante partilhar para o futuro da universidade muito associada à vida dos campi e à valorização dos espaços comuns, à valorização da educação informal, à valorização da educação pedagógica, da inteligência artificial. Tenho uma série de perspetivas que gostava de partilhar de forma mais próxima, da inclusão da acessibilidade nos campi, acho que isso é tudo muito importante para o futuro da universidade e acho que corremos agora o risco, nesta fase, de começar a caminhar para um campus vazio. Se não se tomar medidas o mais rápido possível para contrariar estas tendências, também a longo prazo, vamos todos descobrir o que é ir à universidade só para levantar o canudo. Foi um bocado essa a ótica e a visão da minha campanha.
ComUM- Por último, há algum apelo que queiras deixar aos estudantes?
Luís Guedes- Espero que se informem, passem no Instagram da Lista A e vejam o nosso manifesto eleitoral, todas as nossas perspetivas para o futuro, para estes próximos dois anos do Conselho Geral da Universidade do Minho. Apresentamo-nos como uma candidatura representativa, uma candidatura preparadíssima para defender os interesses dos estudantes. Não somos uma candidatura amiga do reitor, seja ele quem for o próximo. Basicamente vocês estão a eleger as pessoas que vão votar no próximo reitor da Universidade do Minho. Não será Rui Vieira de Castro, visto que não se pode recandidatar. No dia 19 votem na Lista A: a tua perspetiva, o nosso compromisso, passem nas redes sociais, listaa_cguminho e vejam o manifesto eleitoral que está ao vosso dispor. Vejam os vídeos também que nós temos disponíveis com as opiniões sucintas dos nossos membros candidatos, para que exerçam o vosso direito e dever de voto no dia 19 e que, acima de tudo, ganhem gosto por esses processos democráticos que são tão importantes para a nossa instituição.


