Terceiro álbum de estúdio de Sam Fender, People Watching é um álbum surpreendente na carreira do artista. Nos últimos cinco anos, o cantor e compositor de North Shields, revelou-se como improvável e inevitável.

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People Watching é composto por onze músicas, cada uma contando uma história singular, com batidas e refrões cativantes. A primeira música, que dá nome ao álbum, é dedicada a Annie Orwin, falecida amiga e mentora do compositor. Fender descreve-a como “uma mãe substituta”. Inspirou-se no seu caminhar e na sua casa de repouso, trazendo fortes sentimentos e significado logo na primeira faixa.

Wild Long Lie” é outra música tocante que constrói uma narrativa à volta de momentos fortes e emoções não resolvidas. Um destaque vai para as pausas instrumentais, que soam a uma conversa entre o passado e o futuro. Mergulhamos nas experiências agridoces de voltar a lugares familiares, nostálgicos, que geram diversas emoções ao ouvinte.

“Crumbling Empire” explora temas como a luta social e a reflexão. Descreve os efeitos do colapso industrial, políticas governamentais, luta das classes trabalhadoras e dificuldades pessoais na comunidade. A letra leva o ouvinte a explorar histórias pessoais, enfatizando a sensação de perda e decadência.

Por outro lado, “TV Dinner” retrata o presente. Fender, após o seu grande sucesso, sente que a indústria musical e a imprensa estão a “morder-lhe os calcanhares”. Recheado de acordes tensos, o cantor faz referência a Amy Winehouse, que abordava também, nas suas canções, os “parasitas” da fama. A faixa pretende criticar a cultura das celebridades e a fragilidade da fama -um tema bastante atual e em crescimento constante.

Dedicada aos avós, “Remember My Name” é a última faixa do álbum. Retrata a perspetiva do seu avô, que cuidou da sua mulher com demência. É uma faixa comovente, ainda mais devido ao seu significado. O cantor consegue, em apenas três minutos, despertar saudade, amor e perda. Com o lançamento da música, Sam Fender fez uma doação para a campanha “Music for Dementia” da Utley Foundation.

People Watching explora a negatividade da vida e encontra a excelência e essência a cada nota. É um álbum solitário, de um homem que luta por uma vida melhor, dentro da classe trabalhadora do Reino Unido. A capa é mais um simbolismo da luta da classe trabalhadora. Foi capturada por Tish Murtha, um fotógrafo que documentou as comunidades marginalizadas em Newcastle.

De acordo com Fender, o álbum explora “histórias coloridas e observações de personagens cotidianos, vivendo as suas vidas cotidianas, mas muitas vezes extraordinárias” -um simbolismo comovente e tocante. Todos estes fatores tornam o álbum uma excelente experiência auditiva e algo com que o autor se deve orgulhar.