Depois de um ano dedicado à divulgação de Wicked (2024) Ariana Grande regressa à música para terminar a sua mais recente era.

Rolling Stone

Em março de 2024, Grande lançou o seu sétimo disco de estúdio e rapidamente se tornou um dos álbuns mais falados do ano. Elogiadas pelo desempenho vocal e pela vulnerabilidade emocional das temáticas abordadas, algumas faixas atingiram os tops de vendas como “yes, and?”, “we can’t be friends (wait for your love)” e “the boy is mine”.

Após alguns videoclipes, muitos fãs assumiram que a artista teria finalizado esta etapa da sua carreira. A verdade é que, um ano depois, foi anunciado ao mundo que uma nova edição, de nome eternal sunshine deluxe: brighter days ahead, seria lançada no dia 28 de março de 2025.

Com seis novas músicas, a faixa que inicia esta coleção não era totalmente desconhecida do público. Trata-se de uma versão estendida da primeira faixa do álbum original. “intro (end of the world) (extended version)” apresenta alguns versos novos onde a artista revela não se sentir ouvida ou considerada numa relação. Ainda que muito bem escrita e interpretada de forma bela, a novidade falha na produção. A nova secção da música é introduzida logo após a parte conhecida de uma forma abrupta na mixagem, fazendo o resultado final parecer algo rapidamente improvisado. Ainda assim, a restante fatia do bolo é deliciosa.

De seguida, Ariana apresenta a primeira nunca antes ouvida, mas que ainda assim faz lembrar, de forma positiva, a bem-sucedida “we can’t be friends (wait for your love)”. Ambas contêm letras introspetivas e temas ligados à autorreflexão e encerramento. A sonoridade de “twilight zone” , também mais celeste, é um dos destaques deste deluxe. “Did I dream the whole thing? / Was I just a nightmare?” (“Será que eu sonhei esta coisa toda? / Será que foi só um pesadelo?”) abre a música onde a cantora questiona se uma relação do passado realmente aconteceu ou foi algo da cabeça dela. Além da letra impactante, é nesta faixa que conseguimos notar a infalível produção de assinatura de Max Martin, responsável por outros hits como “Blank Space”, “Blinding Lights” e “…Baby One More Time”.

A terceira música é “warm” e traz uma batida mais animada do que as anteriores. Desta vez mais romântica, a artista fala sobre estar tão astralmente bem que parece sentir-se na exosfera, a camada mais externa da Terra (fazendo uma leve ponte com a capa do deluxe). Se a outra pessoa da relação realmente estiver disposta a estar com ela, terá que aceitar que Grande não arruinará a sua energia para estarem juntos. Mas, caso esteja, será melhor. É criada ao longo da faixa, uma construção de beat que leva a um clímax interessante já perto do fim.

Eis que surge a música mais atrevida desta nova coleção. “dandelion” traz uma metáfora com os dentes de leão, que simbolizam o amor, a esperança e a possibilidade de pedir um desejo sempre que sopramos um. Ariana utiliza esta flor de forma perspicaz para criar alguns duplos sentidos na composição com sugestões íntimas. Talvez a mais diferente, a canção  faz lembrar outras mais antigas da cantora e agrada aos fãs que pediam o regresso da “old Ariana”.

Não é possível ignorar a forma como “dandelion” começa: um saxofone ritmado, que cria uma atmosfera quase jazz, mas ainda assim pop. Uma decisão que merece uma salva de palmas, já que complementa, de forma ideal, a obra.

past life” fala-nos sobre a decisão de deixar alguém no passado. Apesar de ser vocalmente dinâmica e ser uma boa oportunidade da cantora explorar a sua capacidade melódica, a faixa é, sem dúvidas, a menos cativante. A música não está perto de ser péssima, mas afigura-se menor quando surge antes da grande “Hampstead”. Trata-se de uma balada cujo nome deu por referir-se à cidade onde viveu aquando das gravações de Wicked (2024).

Embora alguns internautas a tenham comparado com a música “Never Be The Same” de Camila Cabello, a primeira semelhança que se encontra é o potencial vocal que ambas têm e fazem questão de aproveitar, potencializando a composição mais melancólica e poderosa. Se alguém decidir fazer uma lista com as melhores criações da artista, é possível que “Hampstead” esteja presente. É refrescante ver uma balada por parte da mesma, que nem sempre aposta neste registo musical.

eternal sunshine deluxe: brighter days ahead fez valer o tempo de espera. O lançamento de um deluxe nem sempre é feito da forma mais inteligente: muitos artistas trazem músicas que nada acrescentam ou que simplesmente justificam a sua ausência na versão original do álbum. Neste caso, o contrário acontece. As seis faixas trazem algo de novo, fazem-se sentir parte deste universo que o disco cria sem forçar a criatividade por parte de quem o concebeu.

Agora que mais um ano de promoção da segunda parte de Wicked se aproxima, é quase certo que a versão deluxe de eternal sunshine (2024) tenha sido o último raio de sol antes do próximo amanhecer musical de Ariana Grande. Até lá, aproveitamos para sentir o quentinho destas seis novas faixas.