Na véspera da comemoração do Dia da Liberdade, Francisco Carneiro e mais seis intérpretes conduziram um cineconcerto no gnration, estampando leveza e autenticidade. Durante os 93 minutos de exibição, entre pausas e momentos de tensão, os músicos criaram um ambiente único ao imergir os espectadores na obra cinematográfica de Luis Buñuel.

No evento, promovido pela Cinex, Francisco Carneiro desafiou-se a criar uma banda sonora para o filme “Diário de uma Criada de Quarto” (1963), originalmente sem sons não diegéticos. A longa-metragem, baseada no livro com o mesmo nome, já teve adaptações para o cinema hollywoodiano, como a de Jean Renoir, que em muito pouco se compara à estética crua e crítica de Buñuel.

O realizador, que marcou mundialmente o movimento surrealista na sétima arte, desafia a moralidade, critica as relações de poder e as instituições religiosas e políticas. Ao longo da trama, acompanhamos a vida de Célestine, uma mulher parisiense sofisticada que se muda para o interior e começa a trabalhar para uma família burguesa de província. Entre mortes naturais e intencionais, o drama satiriza papéis sociais sem apresentar soluções fáceis.

Segundo Francisco Carneiro, parte da escolha de representar esta obra surgiu tanto da sua admiração pelo trabalho do realizador espanhol, como da ausência de banda sonora na sua filmografia. Ao criar canções originais para o filme, Carneiro encara o projeto como uma homenagem e “não uma proposta em forma de resposta”.

O músico, natural de Braga, é Mestre em Composição de Música para Cinema (MA Screen Scoring) pela Codarts University for the Arts, em Roterdão. Atualmente, Francisco Carneiro trabalha como instrumentista, compositor, produtor musical e professor em Zurique.

Músicos:

Luís Salomé – saxofone

Carlos Ribeiro – Trompete

David Correia – Violino I

Carolina Pimenta – Violino II

Carlos Domingues – Viola de Arco

Ana Carolina Rodrigues – Violoncelo

Francisco Carneiro – Teclado