A banda bracarense regressa aos palcos com um alerta musical contra a ascensão do extremismo.

O coletivo bracarense mutu está de volta à estrada em 2025 com uma nova digressão nacional e um tema que promete agitar consciências. “Estado Novo” é uma canção de intervenção que convida à memória e ao confronto com fantasmas ideológicos que, em pleno século XXI, voltam a ganhar terreno.

Conhecidos por uma estética musical que cruza géneros como a eletrónica, o jazz, o psicadélico, o fado e o post-rock, os mutu mantêm uma abordagem artística marcada pela crítica a questões sociais e políticas nesta nova etapa. A banda continua a afirmar-se como uma das vozes mais singulares da nova música portuguesa.

O videoclipe que acompanha o tema já está disponível online e recorre a uma estética simbólica e perturbadora para reforçar a mensagem central: o perigo de esquecermos as lições da História. Desta forma, “Estado Novo” não esconde o alvo da sua mensagem: é um alerta direto contra o crescimento dos movimentos nacionalistas e autoritários, que ressurgem disfarçados de retóricas patrióticas e promessas simplistas.

A estreia ao vivo deste novo capítulo arranca a 2 de maio, no Festival Descentrar em Este (S. Mamede e S. Pedro), Braga, seguindo-se de espetáculos a 16 de maio, no Maus Hábitos, no Porto, a 30 de maio em Famalicão, a 5 de setembro, na Marinha Grande, e a 6 de setembro, em Ourém, em locais ainda por anunciar.

Esta digressão marca o início de um novo ciclo criativo para os mutu, que vão apresentar não só o seu mais recente single, mas também outros temas inéditos a serem lançados até ao final do ano. Os concertos vão funcionar como uma prévia exclusiva do seu segundo álbum, com edição prevista para 2026. Trata-se, por isso, de uma oportunidade para o público ganhar contacto com a próxima fase artística do projeto.

Assim, os mutu voltam a pôr a arte ao serviço da consciência crítica, num momento em que, para muitos, as palavras “liberdade” e “resistência” ganham novo peso. Num país que celebra em abril o fim de uma ditadura, os mutu lembram que há lutas que não se podem dar por terminadas.