O lançamento de um novo filme do inigualável herói Capitão América, significa rever Steve Rogers em mais uma das suas aventuras diplomáticas e perigosas. No entanto, a grande novidade não está apenas na estreia de uma nova história, mas na inserção de um novo rosto sob o escudo.

A despedida do Capitão de Chris Evans em Vingadores: Ultimato (2019), embora carregada de emoção e simbolismo, deixou uma sensação de perda para os fãs que acompanharam o crescimento do personagem ao longo do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU).

Era inevitável que a sombra do Capitão de Evans fosse longa, criando uma enorme expectativa em torno da transição. Contudo, as críticas iniciais dirigidas a Anthony Mackie por assumir o manto de um dos principais heróis da Marvel revelaram-se infundadas e injustas, tendo em conta ao trabalho árduo que o ator tem realizado para manter a essência da estrela prateada ao peito.

Ainda assim, é compreensível que os admiradores sintam saudades da versão icónica de Chris Evans. Será um grande desafio para o MCU manter a chama do herói do escudo nos fãs.

Capitão América: Admirável Mundo Novo posiciona Sam Wilson num cenário geopolítico complexo, onde fronteiras, alianças e a identidade nacional estão em constante conflito. O filme não se limita a ser uma simples história de ação. Tenta explorar questões sobre a representação e a responsabilidade de uma forma ambiciosa.

No entanto, o ritmo acaba, em certos casos, por ficar comprometido por tentativas excessivas de inserir novas subtramas ao fio condutor original. Algumas sequências de ação impressionam pela coreografia bem executada e pela utilização criativa do icónico escudo. Enquanto isso, o desenvolvimento de certos personagens acaba por ficar muito aquém das expectativas, não tendo o impacto esperado.

A comparação dos Capitães é algo inevitável entre os fãs, o que acaba por contrastar com a estratégia da Marvel em evitar paralelismos entre os dois personagens no decorrer do filme. Adotar a narrativa de que Sam conseguiria ser um ótimo Capitão América sem ser um supersoldado, mas através dos seus valores, permitiu aos espetadores entenderem a diferença das personagens, mas também coroá-lo como um justo sucessor de Steve Rogers.

Com projetos para serem lançados, a MCU utilizou, inteligentemente, esta longa-metragem para introduzir variadas histórias, interligando-as com as antigas. A maior evidência deste mote é vista na vontade que Sam Wilson tem em reiniciar o projeto dos Vingadores, mais uma vez desagregado dos organismos governamentais. Prepara, assim, os fãs para os futuros eventos de Vingadores: Doomsday (2026)  e Secret Wars (2027).

Depois de fecharem as cortinas, percebemos que Capitão América: Admirável Mundo Novo consegue ser uma homenagem ao legado de Steve Rogers.Ao mesmo tempo,  abraça um novo capítulo, com Sam Wilson a erguer um escudo, que é tanto um símbolo de mudança quanto de continuidade. O filme tem falhas, mas as suas qualidades fazem dele um capítulo excitante e necessário para a continuidade da história da MCU.