O ciclo de cinema dá voz a narrativas de exclusão, resistência e esperança.

Durante o mês de abril, o Lucky Star – Cineclube de Braga lança um olhar atento sobre as vivências em contextos adversos com o ciclo de cinema “(Sobre)vivências num Mundo Inóspito: Olhares sobre Exclusões e Resistências”. Esta iniciativa é realizada em parceria com o Fórum Cidadania pela Erradicação da Pobreza – Braga e o projeto Migra Media Acts, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho.

O evento propõe-se a explorar, através do cinema, as múltiplas formas de exclusão e as estratégias de resistência que emergem nesses cenários. A programação começou a 1 de abril com “A Flor do Buriti” (2023), de João Salaviza e Renée Nader Messora. O filme transporta os espectadores para a Amazónia, onde a comunidade indígena Krakô enfrenta desafios constantes na preservação do seu território e identidade, encontrando nas tradições e na ligação à natureza a força para resistir.

No dia 8, a sessão apresenta duas produções de grande impacto. “La Rebelión de las Flores” (2022), de Maria Vasquez, estreia em território nacional, documentando a ocupação do Ministério do Interior da Argentina por um grupo de mulheres indígenas em luta pelos seus direitos. Segue-se “O Teu Nome É” (2021), uma curta-metragem de animação assinada por Paulo Patrício, que revisita a brutal história de Gisberta Salce Jr., uma mulher transexual e sem-abrigo assassinada no Porto em 2006.

A exploração da precariedade laboral e da imigração ganha destaque a 15 de abril, com “Great Yarmouth: Provisional Figures” (2022), de Marco Martins. O filme oferece uma perspetiva sobre a vida dos emigrantes portugueses no Reino Unido, expondo as duras condições de trabalho e a instabilidade social num contexto pós-Brexit.

No dia 22, o tema da migração volta ao centro das atenções com “O Outro Lado da Esperança” (2017), de Aki Kaurismäki. A narrativa acompanha Khaled, um jovem sírio que chega clandestinamente à Finlândia e depara-se com as dificuldades do sistema de asilo. Na mesma sessão, será exibida “Nha Sunhu” (2021), de José Magro, uma curta-metragem que problematiza as estruturas de exploração no desporto e no cinema.

O encerramento do ciclo, a 29 de abril, faz-se com “A História de Souleymane” (2024), de Boris Lojkine. O filme acompanha dois dias decisivos na vida de um jovem guineense em Paris, em busca de asilo, protagonizado por Abou Sangaré, um ator não profissional, cuja própria experiência serviu de base à narrativa.

Todas as sessões terão lugar no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, às terças-feiras, pelas 21h30. Os bilhetes têm um custo simbólico de um euro para estudantes, dois euros para utentes da biblioteca e três euros para o público geral, sendo a entrada gratuita para os sócios do Lucky Star. Para mais informações, pode consultar aqui: https://luckystarcine.blogspot.com/