Trabalho publicado na revista Nature aponta novas estratégias de prevenção e tratamento personalizado.

A Universidade do Minho integrou um estudo internacional, publicado na revista Nature, que procura explicar o aumento do cancro colorretal em pessoas com menos de 50 anos. A investigação identificou possíveis causas genéticas e ambientais associadas à doença. O projeto envolveu cientistas de 17 países, incluindo o investigador Rui M. Reis, da Escola de Medicina da UMinho.

O estudo analisou o genoma de cerca de mil doentes de cinco continentes. Os resultados mostram que a idade e a localização geográfica influenciam os padrões de mutações genéticas. Foram ainda identificadas toxinas produzidas por bactérias intestinais, como a Escherichia coli, que pode causar danos no ADN.

Segundo Rui M. Reis, a descoberta de fatores de risco ambientais e microbianos pode revolucionar as estratégias de prevenção e rastreio à doença. O investigador defende a adaptação dos diagnósticos às especificidades genéticas de cada população. O estudo sublinha ainda o valor da colaboração científica internacional e multidisciplinar no combate ao cancro.

O cancro colorretal é o terceiro mais comum a nível mundial e o mais letal em Portugal. Afeta cerca de 1,9 milhões de pessoas por ano, com 12 mortes por dia no país. O aumento da incidência em jovens adultos reforça a necessidade de intervenção imediata.

A investigação abre portas a diagnósticos mais precoces e terapias personalizadas. As novas abordagens poderão ser ajustadas à realidade genética e ambiental de cada região. Trata-se de um passo importante para melhorar a prevenção do cancro colorretal a nível global.