Organizado pela EPIC Júnior, o evento decorreu em Guimarães e marcou a estreia de uma iniciativa que alia formação, espírito empreendedor e inovação.
A primeira edição do Inceptio, promovido pela EPIC Júnior – Empresa Júnior da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, teve lugar no Campus de Azurém, na passada quarta-feira. A agenda contou com talks, workshops e momentos de networking. O evento visou “aproximar estudantes e empresas, de forma informal, dinâmica e formativa”, como explicou Beatriz Zeferino, Project Manager da iniciativa. “Queríamos criar algo diferente, onde os estudantes pudessem aprender mais do que se ensina nas aulas e sentir que podem fazer acontecer qualquer ideia que tenham”, acrescentou.
Durante o dia, os participantes assistiram a várias palestras rápidas, as Inceptive Talks, com cerca de 20 minutos cada. Destacam-se nomes como Rita Piçarra, que falou sobre “Sucesso Pessoal”, e Pedro Pinto, com uma apresentação sobre “Falar em Público”. A programação incluiu ainda workshops de Língua Gestual Portuguesa e de Suporte Básico de Vida, sessões estas que sensibilizaram os estudantes para temas de impacto social. “O workshop de Língua Gestual abriu-me os olhos para realidades que desconhecia e considero que devia ser uma língua opcional na escola, como o inglês e o francês”, afirmou uma estudante de Engenharia Têxtil.
Além das sessões formativas, o evento proporcionou momentos de convívio, como a Cocktail Session, onde participantes e representantes de empresas puderam interagir informalmente. “A ligação direta com empresas foi o que mais me cativou, é bom ver que as empresas estão abertas ao diálogo e a ouvir as nossas dúvidas”, referiu um estudante de Estatística Aplicada.
No final do dia, na cerimónia de encerramento deu-se a entrega de prémios aos vencedores do concurso de stickers e do desafio lançado no dia, que teve como mote a resolução de problemas de uma associação de proteção animal. O evento finalizou com um momento musical protagonizado pelo grupo Camerata Minhota, que trouxe uma nota artística à iniciativa.
Do lado das empresas, o balanço também foi positivo. A My Legal Team, main sponsor do evento, elogiou a “proximidade e informalidade” do Inceptio como forma de “desbloquear ideias e oportunidades”. Destacou o ambiente descontraído que facilitou o contacto entre participantes e oradores. Já a Progest, consultora de gestão empresarial, sublinhou a importância da “troca entre a academia e as empresas”. Considerou o evento uma “excelente oportunidade para identificar talento e dar a conhecer a realidade do mercado aos futuros profissionais”.
Também esteve presente no evento a AAUMinho, através da marca StartPoint, conhecida pela organização de feiras de emprego e empreendedorismo na universidade. Para a sua representante, o Inceptio revela-se “um evento com muito potencial”, valorizando-se a diversidade temática e a capacidade de cruzar áreas distintas. “Este tipo de iniciativa aproxima os estudantes da realidade do mercado de trabalho e das suas possíveis saídas profissionais”, referiu.
A aplicação Ready to Event, desenvolvida pela própria EPIC Júnior, foi uma das inovações do dia. Permitiu aos participantes o registo de presença e consequente atribuição de pontos. Para além disso, possibilitou a partilha de currículos e perfis de Linkdn com as empresas e até um espaço de partilha de pensamentos e fotografias do evento.
Apesar dos desafios logísticos próprios de uma edição inaugural, a organização não esconde o entusiasmo com o resultado. “As mensagens que recebemos mostram que conseguimos alcançar o nosso objetivo: inspirar e abrir horizontes”, afirma Beatriz Zeferino. Refere que o planeamento foi “cansativo, mas recompensador”.
Em entrevista ao ComUM, Beatriz Zeferino explicou, ainda, que a inspiração para o Inceptio surgiu do Movimento Júnior Português, que reúne empresas juniores de todo o país em encontros formativos e de networking. A EPIC Júnior quis adaptar esse modelo ao contexto académico local, “trazendo momentos que não fossem apenas técnicos, mas de crescimento pessoal, que inspirassem e desafiassem os estudantes”. A organização quis ainda fugir do típico formato de feira de emprego ou jornadas de curso, apostando num ambiente mais informal e acessível.
Questionada sobre uma eventual segunda edição, Beatriz revela que esse é o objetivo da estrutura. “Já estamos a recolher feedback para perceber o que funcionou melhor e o que pode ser melhorado.” Entre os pontos a rever, destaca-se o desejo de “alargar ainda mais o público e garantir maior adesão fora da área de engenharia”. A Project Manager do evento deixa, ainda, um conselho a quem queira dinamizar uma iniciativa: “se há uma ideia que parece fazer sentido, então é começar, mesmo com erros, é assim que se aprende e se cresce”. Com olhos postos no futuro, a EPIC Júnior espera consolidar o Inceptio como um evento anual de referência para a comunidade académica minhota.


