A primeira temporada da nova série de sucesso da Max, The Pitt, acabou no passado mês de abril. A criação de R. Scott Gemmill tem ganhado atenção desde a estreia do primeiro episódio em janeiro, juntando imensas pessoas nas redes sociais todas as semanas. Em fevereiro, antes do lançamento de todos os episódios, foi anunciada a segunda temporada.

The Pitt passa-se num hospital em Pittsburgh e segue um turno no serviço das urgências. A estrutura da série consta em quinze episódios, cada um representando uma hora do turno. No primeiro episódio conhecemos as personagens que incluem médicos, enfermeiros, estudantes de medicina e os pacientes. Noah Wyle interpreta Dr. Robby, o chefe das urgências que sente o peso do mundo às suas costas.

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Wyle, também produtor executivo, trabalhou de perto com Gemmill e John Wells, tendo anteriormente trabalhado juntos na série ER. Apesar de inicialmente a série ter sido pensada como uma sequela a ER, focada no Dr. Carter, personagem de Wyle, o criador da série original recusou. Porém, o trio não desistiu, pois sentiram a necessidade de falar dos problemas do sistema de saúde e das dificuldades dos trabalhadores pós pandemia.

Contrariamente às outras séries médicas que dão na televisão, The Pitt chama à atenção pela sua representação precisa e rigorosa do setor da saúde. Em vez da visão polida e bonita, o “poço”, alcunha das urgências, é barulhento, sobrelotado e caótico. Durante o turno, não existe um momento calmo, havendo sempre alguém para atender, seja na fila de espera ou nas camas. A edição ajuda a mostrar este ritmo de trabalho constante, misturando casos menores, com ritmo mais calmo, a casos de risco de vida, com ritmo acelerado e stressante. Ao longo dos episódios, o stress dentro da série vai aumentando  transmitindo, perfeitamente, essa sensação para o espectador.

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Outra parte que a série acertou foram os procedimentos médicos. Desde uma intubação regular a um parto extraordinário, os processos são bastante gráficos, mas corretos. A meio da série acontece um desastre que obriga os médicos a usarem técnicas estranhas, que apesar de absurdas são verdadeiras.

Noah Wyle destaca-se pela sua atuação excelente, sendo o chefe rigoroso, mas com coração aberto. A cada episódio que passa, as emoções de Robby vão aumentando e ele vai perdendo a máscara que construiu para se proteger das tristezas das urgências. Outra atuação brilha é a de Katherine LaNasa, que dá vida à enfermeira responsável Dana Evans. A amável enfermeira é a cola que mantém as urgências a funcionar, sendo querida e forte, lidando com todas as inconveniências.

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The Pitt certamente deixou uma marca profunda no panorama das séries médicas. Com uma abordagem crua e realista, longe dos dramas médicos idealizados a que o público está habituado. A série oferece um retrato intenso e emocional do dia-a-dia dos médicos e enfermeiros. A segunda temporada, já confirmada, é aguardada com grande expectativa, prometendo explorar como as políticas de Trump estão a afetar o setor da saúde.