Lançada em 24 de abril de 2025, a quinta e última temporada de You, protagonizada por Penn Badgley, tenta encerrar a história de Joe Goldberg com tensão e reviravoltas, mas esforça-se demasiado para parecer coerente. Apesar de manter o suspense, o desfecho deixa a sensação de que a série já devia ter terminado há mais tempo.

Após a temporada passada em Londres, « Joe Goldberg volta a Nova Iorque com o eterno conflito entre o aspeto de um homem reformado e a mente obsessiva de sempre. Agora casado com Kate (Charlotte Ritchie) e socialmente bem posicionado, Joe parece ter finalmente deixado o passado para trás. Mas basta um pequeno empurrão para que os velhos hábitos regressem.

A série tenta, mais uma vez, justificar o retorno do lado sombrio de Joe, desta vez através do pedido de ajuda de Kate e da chegada de Bronte (Madeline Brewer), uma nova personagem que reabre as portas para o comportamento obsessivo. No entanto, a série volta a cair num erro já conhecido: repetir dinâmicas de temporadas anteriores, como se Joe estivesse condenado a viver eternamente os mesmos ciclos. Apesar de fazer sentido narrativamente – até porqueé parte da psicologia do protagonista – não deixa de mostrar uma certa falta de criatividade no guião.

Bronte simboliza o maior problema da temporada: uma boa ideia mal-executada. A sua ligação ao passado de Joe e a tentativa de o enganar criam uma tensão interessante, mas o rumo que a sua personagem leva, ao apaixonar-se por ele e trair os próprios aliados, soa forçado e pouco credível. A partir do quinto episódio, algumas decisões tornam-se tão duvidosas que rompem a ligação do espetador à história.

No entanto, há méritos. A direção mantêm o tom sombrio que caracteriza a série, com uma montagem cuidadosa, mesmo quando o ritmo se torna irregular. A banda sonora continua a complementar bem o ambiente psicológico denso, com um bom aproveitamento dos silêncios e da tensão sonora.

O grande destaque vai para o final. Joe não morre, nem triunfa ‑ é confrontado com o seu maior medo: a solidão. A cena final, onde olha diretamente para a câmara e diz “talvez o problema sejas… TU”, é um momento poderoso, que nos obriga a refletir sobre a forma como consumimos este tipo de narrativa e como, muitas vezes, a cultura contemporânea transforma monstros em ídolos.

Apesar das repetições, You termina com alguma dignidade. Não é um final brilhante, mas consegue oferecer uma conclusão que, mesmo imperfeita, é coerente com o que a série sempre foi: um estudo inquietante sobre obsessão, identidade e o lado sombrio do fascínio humano.