Cláudia Sarrico alerta para a existência de “portas de hierarquização” sentidas no ensino superior e emprego.

O fosso de oportunidades no ensino superior, desde o percurso escolar até ao mercado de trabalho, é destacado no Balanço Anual da Educação 2025. O relatório, a ser apresentado esta quinta-feira em Lisboa, regista disparidades profissionais relacionadas com o género, agregado familiar e percurso académico em universidades ou politécnicos.

Quatro em cada dez estudantes fazem a transição direta da licenciatura para o mestrado.  O relatório reflete que a “probabilidade de os homens transitarem para mestrado é maior (três pontos percentuais)”, uma tendência em crescimento nos últimos cinco anos. Mulheres com mestrado têm um salário 24% inferior ao dos homens.

A desigualdade salarial de género é cada vez mais acentuada para as mulheres licenciadas. Este fenómeno deve-se à diminuição das vantagens salariais associadas à licenciatura. No caso das mulheres com ensino secundário ou níveis de escolaridade mais baixos os salários reais estão mais próximos dos valores médios recebidos pelos homens. Os autores atribuem esta evolução aos aumentos do salário mínimo desde 2015.

O agregado familiar também tem peso: 48% dos alunos com pelo menos um dos pais com ensino superior concluído, em qualquer um dos ciclos, continua para mestrado. A percentagem de alunos com pais sem habilitações superiores que prossegue para este grau é de 37%.

As universidades públicas e institutos também registam um fosso significativo, resultado das desigualdades económicas entre os perfis de alunos das instituições. 58% dos estudantes que frequentam universidades públicas seguem para mestrado, enquanto nos politécnicos o número diminui para os 25%.

Cláudia Sarrico, uma das autoras do relatório e professora da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da UMinho, recém-nomeada secretária de Estado do Ensino Superior alerta para as “portas de hierarquização” que precisam de ser “fechadas” no acesso ao ensino e emprego.