Lançado em dezembro de 2021, Alone at Prom representa um momento marcante na carreira de Tory Lanez. Conhecido por misturar R&B contemporâneo, rap melódico e trap, o artista canadiano mergulha numa estética completamente diferente.

Matthew Payne

Inspirado por nomes como Prince, Duran Duran, Phil Collins e The Weeknd (em modo After Hours), Alone at Prom é um disco conceptual. É uma viagem ao passado, não só sonora, mas emocional.

Tory assume, neste álbum, o alter ego Ashton Rain, uma figura trágica e romântica, uma espécie de popstar solitário perdido na pista de dança. Essa personagem atravessa o disco todo desde a abertura em Enchanted Waterfall até à melancólica Last Kiss of Nebulon, criando um fio narrativo coeso, ainda que subtil.

’87 Stingray, The Color Violet e Pink Dolphin Sunset são algumas das músicas mais marcantes, com melodias potentes e arranjos ricos. Estas faixas capturam, de forma convincente, o sentimento de isolamento e glamour decadente que caracterizam os ícones pop daquela década.

O maior mérito de Alone at Prom é a sua ambição estética. Tory Lanez não está a brincar com sonoridades dos anos 80 por pura diversão: ele constrói um universo coerente, onde os sons, imagens e personagem se fundem. Visualmente, o projeto segue o mesmo look, com videoclipes e promoções que imitam os VHS antigos e filtros granulados.

Ainda assim, há quem critique o álbum pelos seus sons demasiado parecidos com os dos outros álbuns já existentes, mostrando como a influência de artistas, como The Weeknd, é inevitável.

Alone at Prom é, talvez, o trabalho mais consistente e inesperado da carreira de Tory Lanez. Não é o seu álbum mais versátil, nem o mais lírico, mas em termos artísticos é o mais ousado.