Travis Scott anunciou, a 11 de julho, o lançamento do segundo projeto do coletivo Jackboys, que chegaria ao público após dois dias. JACKBOYS 2, que juntou os membros da gravadora Cactus Jack e algumas participações inesperadas, ficou bastante aquém do entusiasmo gerado.
O interesse à volta do lançamento deste disco tem raízes no impacto do primeiro JACKBOYS (2019) que deixou a sua marca no hip-hop com Out West e Gatti. O sucesso deste primeiro projeto em nome do coletivo – composto por Travis Scott, SoFaygo, Sheck Wes, Chase B e Don Toliver – mostrou como Travis Scott quis tomar o papel de força orientadora no desenvolvimento dos seus artistas, ou, pelo menos, tentou.
Apesar da sua carreira se encontrar praticamente estagnada, é também a partir deste núcleo musical que SoFaygo continua a beneficiar de alguma visibilidade, tornando esta uma situação paradoxal. MM3 e CONTEST destacam-se como os pontos altos de todas as 17 faixas que compõem o álbum. O rapper do hit viral, Knock Knock (2019), consegue integrar o seu som individual num disco certamente disperso e desorganizado sonoramente. Da mesma forma, Don Toliver consegue atingir alguma consistência no seu som no contexto geral da obra com CAN’T STOP e 2000 EXCURSION, porém sem grande saliência.
O fundador do projeto, Travis Scott, com participação na maioria das faixas, arrisca vocalmente, mas nem sempre com sucesso. Playboi Carti tem também uma presença especial (WHERE WAS U) e, curiosamente, a sua influência faz sentir-se de forma evidente nos vocais agudos, cada vez mais presentes no hip-hop atual. Ainda assim, DUMBO, mais tarde tornada num single, distingue-se pelo seu ritmo fluído e estranhamente satisfatório. Por outro lado, a participação de Sheck Wes pouco ou nada acrescenta ao disco. Os seus versos medíocres diluem-se entre outros surpreendentemente fracos, sobretudo por parte dos artistas convidados.
PBT mostrava potencial no seu ritmo com um toque de afrobeat e uma respeitável participação de Tyla. Depois, Vybz Kartel assassina por completo a música, com o uso extremamente excessivo de tiros e explosões que deixam o ouvinte um pouco atordoado. NBA Youngboy surge em OUTSIDE no seu habitual estilo estridente com o flow reutilizado e previsível e Kodak Black apresenta-se em FLORIDA FLOW, mais uma faixa aborrecida e desinspirada.
De todas as participações especiais, que incluem também Future, Yeat, entre outros, destaca-se GloRilla em SHYNE, não da forma mais favorável. Os versos de Travis Scott e GloRilla seguem ritmos já demasiado comuns e repetitivos. Contudo é o final da faixa que desfaz toda a estrutura e a transforma numa repetição quase psicótica de Wobble it Wiggle it. Este excerto, por razões óbvias, já se tornou um meme gigante nas redes sociais, tirando qualquer seriedade ao projeto.
Com a participação de cerca de 20 artistas, no geral, incluindo adlibs e outras intervenções, JACKBOYS 2 é uma autêntica salada de géneros e ritmos. O projeto é incoerente e as introduções faladas pelo rapper Bun B tornam-se cansativas ao serem constantemente utilizadas. Ao unir esta enorme quantidade de artistas, os Jackboys acabam por lançar um disco confuso e pouco sério que não oferece motivos para ser ouvido mais que uma vez.
Artista: Jackboys, Travis Scott
Álbum: JACKBOYS 2
Editora: Cactus Jack Records
Lançamento: 13 de julho de 2025



