Após uma temporada muito aclamada, a segunda temporada de The Last of Us foi lançada a 14 de abril de 2025, adaptando metade da história do videojogo The Last of Us Parte II. Passaram-se cinco anos desde que vimos Ellie e Joel pela última vez e a sua relação está abalada, simultaneamente, Joel terá de confrontar as consequências das suas ações quando Abby aparece nas redondezas de Jackson, sedenta por vingança.
Craig Mazin retorna como showrunner, principal guionista e é também responsável pela realização do primeiro episódio. O ritmo do primeiro episódio é de calmaria, o que é importante para a construção da história ao mesmo tempo que estabelece o conflito existente entre Ellie e Joel. Neil Druckmann, criador e escritor do videojogo e Halley Gross, também escritora da obra original, escreveram o sexto e sétimo episódios. Druckmann realizou o sexto episódio, um dos melhores episódios desta segunda temporada, captando na perfeição a carga dramática do videojogo ao mostrar a relação de Joel e Ellie, o que deixa o espectador com o coração nas mãos em muitos momentos.
Os restantes episódios ficaram a cargo de realizadores como Mark Mylod, Peter Hoar, Kate Herron, Stephen Williams e Nina Lopez-Corrado, que cumprem de forma muito agradável a realização dos seus respetivos episódios. No entanto, nenhum conseguiu elevar a série a um patamar de excelência, visto que o argumento em alguns momentos é fraco.
Um dos pontos mais positivos da primeira temporada, que era o seu guião, torna-se aqui a sua maior falha. O argumento não traz um tom condizente para a história, dado que a partir do terceiro episódio era necessário um tom triste e deprimente, o que nem sempre acontece e que pode tirar a imersão do espectador. A protagonista, Ellie, é mal escrita, uma vez que a personagem devia estar consumida pela vingança, calculista e sem olhar para os meios para atingir os seus objetivos. Infelizmente, esta não é a Ellie da série, visto que a personagem não quer aquela vingança e quando é necessário retratar essa Ellie vingativa, fica no ar uma sensação forçada, o que simplesmente não funciona.
Bella Ramsey tenta ao máximo tornar a sua personagem crível, mas o argumento não o permite e o peso da sua ótima atuação é reduzido, o que é uma pena. Enquanto que na primeira temporada o argumento sabia onde expandir e alterar a história do material original, nesta segunda parece que essa característica foi perdida. Foram alterados aspetos do segundo videojogo da franquia que não eram necessários, provocando mudanças que pioram a história.
Um dos exemplos é o relacionamento de Ellie e Dina, respetivamente, Bella Ramsey e Isabela Merced, que têm uma química muito forte e inegável, no entanto, adiar o relacionamento das personagens foi um erro, dado que no jogo esse relacionamento surge logo no começo, enquanto que na série surge apenas no quarto episódio, um momento onde a história já deveria estar completamente imersa no desejo de vingança e ódio de Ellie.
Após destacar o ponto mais negativo desta temporada, é importante também citar os pontos positivos. As atuações mantêm o nível de excelência da primeira temporada, Pedro Pascal como Joel é brilhante e emocionante, Isabela Merced, a nova adição ao elenco, rouba toda a atenção para si e Kaitlyn Dever, a misteriosa Abby, está fenomenal no seu papel. Abby é uma personagem que será mais importante na já confirmada terceira temporada e pela sua curta aparição nesta temporada já podemos perceber que Dever vai impactar o público com a sua atuação. Gabriel Luna como Tommy não teve muito tempo de brilhar, mas o ator consegue integrar uma ótima performance.
A parte técnica da série permanece fenomenal, é de destacar novamente a qualidade dos cenários, visto que a maioria dos espaços são reais e os efeitos especiais são usados apenas para compor certas partes dos locais. Sem dúvida que para os fãs dos videojogos esta característica é a que mais chama à atenção, pois os lugares estão extremamente bem recriados para a imagem real.
O trabalho de caracterização também é excelente, os infetados aterrorizam o espectador por parecerem ser reais. A banda sonora também não desaponta, David Fleming e Gustavo Santaolalla conseguem captar, através da música, a atmosfera daquele mundo, algo que infelizmente não é partilhado pelo guião.
A segunda temporada de The Last of Us é divisória, quem apenas assiste a série provavelmente vai adorar esta temporada, mas para os fãs do videojogo é um balde de água fria, pois embora a história se mantenha a mesma, a forma como se desenrola na série é pior, tanto que as melhores cenas da série são aquelas que adaptam de forma idêntica o jogo. Há também a falta do desejo de vingança da Ellie, uma vez que esta personagem faz coisas questionáveis e que até fazem o espectador pensar se vale a pena seguir a vingança a todo custo e no final perder a essência de quem ela é. Na série, todos os seus maus atos são justificados como sendo acidentes, o que tira muita personalidade à personagem.
Concluo por referir que há falta de coragem, a história do segundo jogo é pesada e sombria, o que deixa o espectador com uma sensação amarga em todos os momentos e infelizmente a temporada não consegue captar nem metade dessa atmosfera, ainda assim, para quem assiste exclusivamente a série, provavelmente vai ser uma temporada muito sólida.
Título original: The Last of Us – Season 2
Criadores e argumento: Craig Mazin, Neil Druckmann e Halley Gross
Elenco: Bella Ramsey, Pedro Pascal, Kaitlyn Dever, Isabela Merced e Gabriel Luna
País de origem: Estados Unidos da América
14 de abril de 2025





