Super-Homem (2025) é o novo filme da DC Studios que promete lançar um novo universo compartilhado após o fracasso do anterior. No filme, o herói precisa de conciliar a sua herança extraterrestre kryptoniana com a sua criação humana. Simultaneamente, enquanto a personificação da verdade, da justiça e o estilo de vida do ser humano, este vê-se em um mundo que considera esses valores antiquados, desta forma, cabe a ele provar que esses valores são ainda atuais.
A longa-metragem não é o primeiro projeto deste novo universo, uma vez que a primeira temporada de Creature Commandos foi onde começou este novo mundo, no entanto Super-Homem tem uma grande responsabilidade por ser o primeiro filme desta nova DC. Como tal, este conta com um desafio especial, o de cativar um novo público, algo que consegue devido ao seu grande acerto que é o seu protagonista. Clark Kent é carismático e o espectador conecta-se com ele quase automaticamente, é alguém bondoso, por vezes ingénuo, mas que no fundo só quer ajudar o máximo de pessoas possíveis, desta forma é uma adaptação esperançosa da personagem, algo que se sentia falta na antiga encarnação da personagem interpretada por Henry Cavill. O Super-Homem é uma ótima personagem não só pelo argumento mas também pelo seu ator David Corenswet, que irradia carisma no filme.
No entanto, não é apenas Clark Kent que é genialmente construído pelo argumento, as personagens Lois Lane e Lex Luthor também estão incríveis. Lane é destemida e coloca o jornalismo acima de tudo, pois tem um compromisso com a verdade, já Luthor é maníaco e obsessivo com o Super-Homem, por quem nutre um enorme ódio. Rachel Brosnahan e Nicholas Hoult estão perfeitamente escolhidos para os seus papéis, uma vez que têm atuações de peso. É ainda de louvar a química entre Corenswet e Brosnahan, os dois estão numa sintonia perfeita e realmente parecem um casal. Hoult e Corenswet também contracenam de modo que faz o espectador realmente acreditar que os dois se odeiam.
No entanto é na quantidade de personagens que se encontra um dos problemas, já que por vezes, o guião esforça-se para tentar dar um momento de destaque a cada personagem, e não consegue. Com exceção de Jimmy Olsen, as restantes personagens do Planeta Diário parecem que só estão no filme para compor o cenário, visto que estão desprovidos de qualquer desenvolvimento próprio. Já os personagens que fazem parte da chamada Gangue da Justiça são melhores desenvolvidos, uma vez que são personagens mais carismáticas e que funcionam como uma personagem coletiva, dado que o seu objetivo é a de se inspirarem pelo Super-Homem.
O argumento não é extraordinário mas é competente, uma vez que tudo que ele tinha de acertar ele consegue, como por exemplo a caracterização do herói principal. Ainda assim é um guião que consegue balancear ação com comédia e momentos dramáticos, o que faz com que o espectador não se sinta aborrecido.
Não se pode passar ao lado da realização de James Gunn, que também assina o argumento. Uma palavra para descrever a sua realização neste filme é dinamismo, visto que as cenas de ação são muito dinâmicas e bem coreografadas, é realmente impressionante a forma como Gunn usa a câmara.
Os efeitos especiais também são muito bons, não há nenhum momento onde parecem ser falsos. Os efeitos práticos também são bastantes interessantes, principalmente a maquiagem da personagem Metamorpho. A banda sonora é interessante, mas não chama à atenção, uma vez que a música tema é reciclada de Super-Homem de 1978, como tal não apresenta nada de inovador.
Após os últimos fracassos da marca DC, Super-Homem é o filme que vem demonstrar que com a direção certa, bons projetos e boas adaptações das personagens é possível que a DC consiga se reerguer e atrair o público a acompanhar o seu novo universo.
Título original: Superman
Realização e argumento: James Gunn
Elenco: David Coronswet, Rachel Brosnahan, Nicholas Hoult e Skyler Gisondo
Estados Unidos da América





