A trilogia dos Jogos da Fome não é desconhecida para muitos e Suzanne Collins voltou a surpreender os fãs com mais uma obra da saga. Com o lançamento d’ A Balada dos Pássaros e das Serpentes em 2020, a autora dos bestsellers deixou em aberto a possibilidade de emergirem novos livros deste universo. Em março, Amanhecer na Ceifa chegou às prateleiras de todo o mundo e provou que Collins ainda não acabou de contar todas as histórias destes personagens.
O livro acompanha um personagem conhecido e muito amado pelos fãs, Haymitch Abernathy, quando este participa e vence os 50º jogos da fome. A história de Haymitch já tinha sido mencionada brevemente, na trilogia original. No entanto, nesta obra, descobrimos em detalhe o que aconteceu verdadeiramente do ponto de vista do próprio vencedor.
Apesar de sabermos previamente o desfecho trágico desta a narrativa, a obra agarra os leitores do princípio ao fim, revelando novas informações desde o primeiro capítulo. O livro acrescenta um grande valor não só ao próprio Haymitch, mas também aos três livros principais e à revolução que, vinte e cinco anos depois, liberta o país do tirano Presidente Snow.
“Eles não usarão as minhas lágrimas para o seu entretenimento.”
Como é esperado de Suzanne Collins, a escrita engaja os leitores desde a primeira página e a narrativa nunca tem momentos “mortos”, o que torna a leitura rápida. Os personagens principais estão muito bem desenvolvidos e faz com que o leitor sinta apego pela sua história. A autora, tal como nos livros anteriores, faz um excelente trabalho a expor todos os pontos de vista de todos os tributos, mostrando e reforçando a opressão que a capital tinha relativamente aos distritos e como instigava o ódio entre eles para manter o seu poder.
Uma das maiores críticas à história foi a participação de vários personagens conhecidos e amados pelos fãs, acusando a autora do livro ser apenas fan service. Isto não passa apenas de uma simplificação, uma vez que é, na verdade, uma estratégia que Collins utilizou para desmistificar a ideia de que a revolução nasceu e aconteceu em pouco tempo, que foi bem-sucedida na primeira tentativa. Em Amanhecer na Ceifa, a autora prova que a revolução já estava em preparações há décadas e que as pessoas envolvidas já tinham lutado e sofrido em busca pela liberdade.
“A capital garante que os Jogos da Fome fiquem gravados na nossa memória”
Não é segredo nenhum que Suzanne Collins só publica quando tem algo para dizer e que a literatura sempre foi utilizada para refletir e criticar a realidade contemporânea. Amanhecer na Ceifa não é apenas uma simples prequela, mas uma obra onde Collins explora os efeitos da propaganda na sociedade e como é fácil ser vítima desta manipulação.
A adaptação de Amanhecer na Ceifa aos grandes ecrãs já está em produção e chega aos cinemas em novembro de 2026. Esta obra deixa os fãs dos Jogos da Fome esperançosos para mais livros da saga e intrigados acerca do que pode Suzanne Collins estar a planear para um próximo projeto.
Título original: Sunrise on the Reaping
Autor: Suzanne Collins
Editora: Editorial Presença
Género: Jovem Adulto, distopia
Lançamento: março de 2025



