Marcos Muondo, atleta da arte marcial Kempo, é natural de Angola, e afirma que “no fim do dia somos todos uma equipa”.

Dia 31 de agosto, assinala-se o Dia Internacional dos Afrodescendentes, comemorado com o intuito de reforçar a igualdade e inclusão, respeitando os direitos humanos. Estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2021, a efeméride procura reconhecer as liberdades fundamentais dos afrodescendentes bem como o seu papel no desenvolvimento das diversas áreas da vida humana, como a cultura, a ciência, a política ou a economia. Em Portugal, a data pretende também consciencializar a população sobre os desafios que as pessoas afrodescendentes enfrentam no que toca ao racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância.

O desporto é um espaço que dá palco à representatividade e à inclusão, sendo essencial para a construção de uma sociedade mais justa e com oportunidades para um futuro promissor. Marcos Paulo Cabral Muondo tem 20 anos, chegou a Portugal há 3 anos e é natural de Angola. Vive em Vila Nova de Famalicão e encontrou no desporto, particularmente na arte marcial Kempo, uma forma de expressão e integração. “A minha trajetória no desporto começou ainda em Angola, em miúdo, com o judo, mas foi quando vim para Portugal que realmente me encontrei mesmo no Kempo”, começa por contar o atleta. Desta forma, Marcos considera que apesar da experiência noutras modalidades, foi no Kempo que encontrou lugar: “Foi nas artes marciais que encontrei a minha voz, uma maneira de me expressar e ao mesmo tempo ganhar confiança para saber me defender”.

Ao refletir na ligação entre a cultura afro descendente e o desporto em Portugal, o atleta define a como “quase natural” relacionando a energia, expressão corporal e resiliência com os desafios, conquistas e também os obstáculos que ainda sente presentes. Partilha a vivência sentida em Portugal, e também experiências mais difíceis, devido à sua nacionalidade: “Nota-se muito nos bairros, na forma como o pessoal se junta para jogar à bola ou mesmo no atletismo. Claro que nem tudo é fácil, às vezes sinto que há certos olhares, ou que tenho de me esforçar o dobro para mostrar que sei tanto ou mais que os outros. Já me aconteceu sentir que estavam a duvidar de mim só por não ser português de origem”.

Apesar dos obstáculos, vê também o desporto, especialmente as artes marciais, como “sítios incríveis para quebrar estas barreiras”. “No treino somos todos iguais, o que importa é o esforço e o respeito. A cor da pele fica lá fora”, destaca Marcos. Por fim, sublinha as suas esperanças para o futuro e o espaço para a igualdade no desporto e em Portugal: “O que eu espero mesmo é que Portugal continue a evoluir, que um miúdo afrodescendente possa sonhar em ser treinador, manager, atleta de topo, o que ele quiser, sem sequer colocar a hipótese de a cor ser problema”.

Através da história de Marcos é possível presenciar uma mensagem de esperança na sociedade e como esta se pode ver espelhada no desporto. Que este seja “um lugar onde o que vale é o mérito, a disciplina e a vontade”. No desporto e nas suas várias modalidades, muitos são os atletas que nos representam, nos orgulham e fazem valer a nossa nação no mundo. Marcos representa a dedicação, o “amor à camisola” e mostra como o desporto é também um espaço de identidade e transformação. No fundo, “um sítio onde no fim do dia somos todos uma equipa”.