Este ano marca o 50º aniversário do icónico filme de Steven Spielberg, Jaws (1975). Este é considerado o primeiro blockbuster de verão, tendo mudado a maneira como Hollywood promove e distribui os filmes. Foi a produção de maior sucesso comercial, até o lançamento de Star Wars (1977), tendo feito cerca de 250 milhões de dólares.
A história, baseada no livro de 1974 de Peter Benchley, passa-se na Ilha Amity quando um grande tubarão branco aterroriza as praias durante o verão turístico. Com o primeiro ataque mortal, o chefe da polícia Martin Brody (Roy Scheider) sugere fechar as praias, o que não agrada o presidente da câmara Larry Vaughn (Murray Hamilton). Quando o predador mata uma criança, a sua mãe oferece uma recompensa a quem matar o tubarão. Com isso, Amity é inundada por caçadores e pescadores com esperança de lucrar. Entre eles, Quint (Robert Shaw), um pescador local com experiência na caça de tubarões, e Matt Hooper (Richard Dreyfuss), do Instituto Oceanográfico, que embarcam junto com Brody em busca da criatura.
O filme foi filmado principalmente em Martha’s Vineyard, Massachusetts, sendo o primeiro projeto no cinema a ser gravado no oceano. A escolha da região e o elenco de locais ajudou a dar realismo à longa, incluindo o vestuário autêntico das próprias pessoas. Outro aspeto que ajudou no realismo foi a incorporação de gravações de tubarões reais capturada na Austrália por Ron e Valerie Taylor. A icónica cena do ataque à gaiola foi aproveitada dessas gravações.
A ambição do projeto trouxe muitos problemas de orçamento e agendamento, atrasando a produção cerca de 100 dias e estendendo as despesas em mais de 3 milhões de dólares. Um dos grandes problemas foram os efeitos práticos. Para o filme, Joe Alves, diretor de arte e produção, criou três tubarões mecânicos de tamanho real, dois para moverem para os lados e um colocado numa grua. Ao gravar no mar, os adereços frequentemente funcionavam mal devido ao mau tempo e água salgada. Este cenário trouxe outras peripécias como barcos indesejados a entrar em cena, câmaras encharcadas e o próprio barco dos atores afundar.
No entanto, os atrasos provaram-se benéficos em alguns aspetos. Durante a extensão da produção, o guião foi bastante refinado. A cena do monólogo de Quint no barco foi reescrita pelo próprio ator, de maneira a torná-la mais impactante. Para contornar o problema dos tubarões defeituosos, Spielberg teve de encontrar maneiras de transmitir a presença do animal sem o mostrar. Uma solução foi usar a música sinistra para sinalizar a aproximação do predador. A trilha sonora de John Williams criou o perfeito ambiente de suspense com a repetição de duas notas. Esta peça tornou-se uma das mais reconhecidas da história do cinema.
Com o caos das filmagens, Spielberg desenvolveu uma severa ansiedade. O jovem realizador temia nunca mais arranjar emprego. Porém, o filme foi um sucesso crítico e comercial. Nos Óscares de 1976, a longa levou os prémios de Melhor Som, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora. Devido à popularidade, foram feitas três sequelas, nenhuma envolvendo Spielberg ou bem recebida. Também inspirou vários filmes de terror sobre monstros na água como Orca: A Fúria dos Mares (1977), Piranha (1978) e A Fera (1980).
Passados 50 anos, Jaws continua a ser um filme formidável e impactante na história do cinema. A obra redefiniu o género de thriller, inaugurou a era dos blockbusters e mostrou o génio de Spielberg. Para celebrar o aniversário, a National Geographic lançou um documentário, Jaws @ 50: The Definitive Inside Story, detalhando toda a experiência, contando com participações da equipa de produção e de realizadores que foram inspirados pelo filme, como James Cameron e Jordan Peele. Um documentário que vale a pena ver para revisitar o impacto e brilho desta obra cinematográfica.
Título Original: Jaws
Realizador: Steven Spielberg
Elenco: Roy Scheider, Robert Shaw, Richard Dreyfuss
Data de lançamento: 20 Junho de 1975





