No passado mês de agosto, a artista islandesa Laufey voltou com o seu terceiro álbum de estúdio A Matter of Time. Com produtores Spencer Stewart e Aaron Dessner, este projeto é uma exploração do género pop mais vulnerável e expressivo. Para promover, foram lançados quatro singles “Silver Lining”, “Tough Luck”, “Lover Girl” e “Snow White”.
Neste álbum, Laufey mostra-nos como ela é quando se apaixona e, eventualmente, sofre por amor. A música de abertura “Clockwork” traz-nos o clássico jazz otimista da artista. Com a batida a parecer os segundos a passar no relógio, a cantora prepara-nos para a história do álbum, contando que tem um primeiro encontro com um amigo e que se apaixonaram “like clockwork”.
Contrariamente, a última canção “Sabotage” é um acumular ansioso pessimista, onde as interrupções dos violinos são como as sabotagens que acontecem no amor (“It’s just a matter of time ‘til you see the dagger/…/So prepare for the impact, and brace your heart/For cold, bloody, bitter sabotage). O fim abrupto do instrumental caótico cria um loop no álbum, mostrando o quão viciante é o ciclo do amor e perda.
Já a segunda faixa “Lover Girl” é um single bossa nova divertido, pontuado por palmas animadas. A história narra o drama emocional de uma relação à distância. Além disso, a letra goza com a artista por estar tão apaixonada por este homem, algo que nunca sonhava experienciar (“I’m in a reckless fever, love-struck girl, I’d tease her/Thought I’d never be her/…/Oh, what a curse it is to be a lover girl”).
Seguindo com “Snow White”, a cantora toca nas suas inseguranças. Ela explica a música como “a busca incessante pela perfeição que vem com ser mulher- sobre ver no espelho todas as coisas que podemos melhorar”. O título refere-se ao conto de fadas onde a personagem principal é dita ser a mais bela de todas, algo que é contrastado nas letras “I don’t think I’m pretty, it’s not up for debate”.
As próximas músicas descrevem os pensamentos após acabar uma relação. Em “Castle In Hollywood”, Laufey reflete sobre uma amizade passada, desejando o melhor para a ex-amiga enquanto também diz o quão magoada ficou. Na música “Carousel” descreve os namoros como um circo, usando a metáfora do de um passeio sem fim. A harmonia nostálgica transporta-nos para uma viagem linda que nos distrai do caos.
“Silver Lining”, é um jam lento com o violino constante refletindo a natureza infantil da música. Laufey parece estar a perder controlo de si própria ao dedicar-se completamente ao namorado, caindo em maus hábitos para que eles nunca se separem (“When you go to hell, I’ll go there with you too/…/The silver lining’s I’ll be there with you”).
A balada melancólica “Too, Little, Too Late” é um momento tenso escrito na perspetiva de um homem consumido pelo arrependimento, que se apercebe tarde demais que o seu amor se vai casar com outro (“I’ll toast outside your wedding day/Whisper vows I’ll never say to you/’Cause it’s too little, all too late”). A música interpola as notas de “Bewitched”, uma música de amor, tornando-a ainda mais emocionante. “Forget-Me-Not” é uma valsa que se revela uma carta de amor ao país natal da artista, onde Laufey canta em islandês por sentir saudades de casa.
Na última parte do álbum, Laufey percebe o seu valor e reflete o quanto se perdeu na relação e o quão melhor está agora. “Tough Luck”, a faixa mais pop do projeto, revela um lado mais irritado da artista. O hino da separação fala sobre o ex-namorado tóxico e traidor. “The proof says you’re tragic as fuck/The truth is that’s just tough, tough luck”. Em “A Cautionary Tale”, a cantora olha para trás e vê o quão desgastante era manter a relação, dando a todos um aviso e uma lição sobre deixar homens inseguros antes que fiquem sem tempo.
“Mr.Eclectic” é uma sessão épica de piadas e provocações a homens falhados e mentirosos. A artista usa a expressão “Mr. Eclectic” para gozar com o ex que pensava ser muito culto, mas afinal é só um “poser”. Na pequena música, Laufey consegue insultá-lo de várias maneiras diferentes, tudo com um ritmo bossa nova. “Truth be told you’re quite pathetic”, “You’re just a stoner patronizing me”, “You think you’re so interesting”. A penúltima música, “Clean Air”, relembra mesmo uma inspiração de ar fresco, após uma relação muito negativa. Aqui, a cantora tenta esquecer todas as memórias da relação, boas ou más, para apenas cair no ciclo repetitivo em “Sabotage”.
Com A Matter of Time, Laufey continua a sua missão de manter o jazz vivo enquanto também explora o pop. O álbum funciona como uma narrativa cíclica sobre o amor, mostrando capacidade da cantora como compositora de histórias. Ao longo da sua carreira, Laufey continua a solidificar-se como uma das vozes mais promissoras da nossa geração, deixando-nos ansiosos para a acompanhar.
Álbum: A Matter of Time
Artista: Laufey
Editora: Vingold Recording, AWAL Recordings
Data de lançamento: 22 de agosto de 2025



