Murder Drones é uma série sobre robôs adoráveis que se assassinam uns aos outros por razão alguma… ou assim conta a sua curta sinopse oficial. No entanto, por trás do massacre mecânico sem precedentes, esconde-se uma narrativa envolvente de personagens expressivos, ilustrada por animações de ação episódicas feitas por um estúdio independente.

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A série sci-fi de animação 3D, criada e dirigida por Liam Vickers e produzida pelos artistas e animadores da GLITCH Productions, retrata um mundo pós-apocalíptico, no qual a humanidade foi disseminada. A Terra, desprovida de vida biológica, é populada por duas facções robóticas opostas: Worker Drones e Disassembly Drones (ou Murder Drones). Protagonizando a história está Uzi, uma Worker Drone adolescente rebelde que não gosta de viver em medo da divisão inimiga. Tanto o enredo como a perspetiva da personagem têm uma reviravolta quando ela conhece N, um otimista e entusiasta drone de desmontagem. Interações desventurosas e segredos macabros do vazio mundo ao seu redor tornam-se na principal intriga da ficção quando ambos se conhecem.    

Um dos grandes pontos de atração de Murder Drones é, sem dúvida, o seu estilo visual. Sendo a série inteiramente produzida por um estúdio de animação indie, tanto as cenas de luta mais frenéticas e movimentadas como as simples, mas expressivas interações entre os robôs, ganham um reconhecimento bastante mais merecedor de elogio. Toda a estética artística da produção gira à volta de uma paleta de cores mais escura e metálica, condizente com a natureza dos personagens e do seu universo. Esta escolha contribui para que a série adquira um caráter austero e tecnologicamente artificial, reunindo a narrativa e a sua arte a uma mesma sensação.  

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Outro curioso aspeto da prática de animação está no reforço da violência. Cada momento tem o seu impacto, e cada impacto tem o seu momento, quando o assunto são os implacáveis confrontos da série. Algo que amplifica o choque desses momentos é a escolha da representação gráfica de cenas de assassinato e desmembramento. Aí situa-se, contudo, uma discussão indagadora; afinal, não se trata da exposição de sangue e vísceras, mas de óleo, fios e mecanismos. Deste modo, os animadores “burlam”, e aproveitam-se da composição artificial dos personagens para apelar a uma espécie de violência mais amena, o “gore robótico”. É de destacar, no entanto, que os artistas da GLITCH avançaram com firmeza no estranho, mas impressionante realismo do comportamento das entranhas das máquinas, humanizando-as esteticamente para um resultado áspero.

À semelhança de outras obras da GLITCH Productions, o impecável trabalho de animação dá alas a um elenco de personagens memoráveis. Por mais irónico que possa soar, a maioria deles não age ou soa artificial. Não se trata apenas da iconicidade das características que definem os drones principais, mas da forma como eles interagem e são desenvolvidos ao longo do enredo também. Uma evidência desta tese está na relação entre os robôs já mencionados, Uzi e N, que se complementam justamente por serem opostos em personalidade. Não surpreende que a comunidade de fãs que se formou em redor da série tenha tanto apreço por estas máquinas conscientes.

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Por trás das explosões e curtos-circuitos, Murder Drones é mais do que a inicial premissa de brutalidade eletrónica. Uma história esconde-se nas sombras. Na verdade, está de tal modo encoberta que espectadores um pouco menos atentos podem com facilidade perder-se na narrativa. De facto, os pequenos detalhes, em muitas situações, são uma das técnicas de storytelling essenciais de Murder Drones. Infelizmente, ainda que fãs pré-estabelecidos do universo possam ver aqui um ponto positivo, outros podem ser repelidos quando se virem confusos ou insatisfeitos aquando da chegada do fim absoluto.

Apesar de o humor não ser o seu foco, não é apenas da seriedade e terror de ficção científica que vive este show. Pelo quão abaladora pode ser a aura que envolve Murder Drones, também a sua comédia adota esse princípio, apoiando-se num humor anticlimático. A gratuitidade da pura violência agressiva destaca-se como um dos elementos cómicos, ainda que possa às vezes conduzir apenas ao choque do espectador. O humor autoconsciente e as piadas meta também ocupam relevante espaço no decurso da guerrilha de IA’s.   

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Como uma das grandes criações de sucesso da indústria de animação independente, Murder Drones acumula hoje mais de 325 milhões de visualizações nos seus oito episódios, com o episódio piloto situando-se no marco de 72 milhões. A sua celebridade refletiu-se num fandom caridoso pela emoção e caráter da obra, a qual continua a partilhar as suas próprias criações artísticas mesmo após o lançamento do último episódio. Toda a série está disponível ao público no canal de Youtube da GLITCH Productions, desde a estreia do primeiro capítulo. Todavia, o estúdio responsável anunciou colaborar com a Prime Video para trazer a animação completa para o serviço de streaming, e apoiar financeiramente futuros projetos do estúdio. Graças a esta parceria, não apenas Murder Drones chega a novas audiências, como a animação independente continua a sua estrada por um caminho mais que promissor.