Hora do desaparecimento é o mais recente filme de terror que chegou às telas dos cinemas a 7 de agosto de 2025 e que dividiu opiniões entre os amantes deste gênero cinematográfico. Realizado por Zach Cregger, é uma longa-metragem norte-americana que mistura o mistério com o terror. Esta película conta, no elenco, com Julia Garner, Josh Brolin, Cary Christopher, Alden Ehrenreich, Austin Abrams, Benedict Wong e Amy Madigan.

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Este filme traz como premissa principal o desaparecimento súbito de 17 dos 18 alunos da sala de aula da professora Justine Gandy (Julia Garner). Estes desaparecem todos na mesma madrugada, às 2h17, sem deixarem rasto. Após diversas investigações, a dúvida permanecia principalmente entre os familiares destas crianças, começando a ser a própria professora a principal suspeita deste caso.

Um dos pontos mais fortes desta obra cinematográfica é o roteiro. Zach Cregger apostou numa estrutura fragmentada, não se limitando a uma narrativa linear, alternando as perceções e as emoções de diversos personagens ao longo da história, aumentando, assim, o mistério e cativando os espectadores que permanecem em estado de dúvida até aos momentos finais da película. O realizador acaba, deste modo, por construir um terror psicológico intenso, onde os verdadeiros protagonistas são o silêncio e a ausência de resposta, causando um sentimento de angústia não só nos personagens como no público.

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Outro dos pontos de destaque no filme são as atuações das personagens principais, nomeadamente de Julia Garner, que consegue equilibrar, com rigor, a fragilidade e firmeza da sua personagem, e de Josh Brolin, que dá vida a Archer Graff, um dos pais que ficou devastado com o desaparecimento do seu filho, o que traz ao de cima o lado mais emocional da narrativa.

A atmosfera visual aposta em contrastes fortes entre luz e sombra, aumentando a tensão da cena. Já a atmosfera sonora privilegia o silêncio, que se chega a tornar, de certa forma, incomodativo. Assim, a iluminação e o som reforçam a sensação de inquietação.

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Desde a sua estreia, Hora do desaparecimento tem sido comparado a clássicos do terror psicológico como o Hereditário (2018) e O Iluminado (1980), uma vez que, à semelhança destas obras, Zach Cregger, constrói um medo e mistério que persiste até ao momento final.

O impacto da obra refletiu-se nas bilheteiras, arrecadando 244,9 milhões de dólares mundialmente, tornando-se um sucesso e, para muitos, já considerado o melhor filme de terror de 2025.

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Apesar da aclamação crítica e do seu desempenho nas bilheteiras, Hora do desaparecimento não me surpreendeu pela positiva. Embora se apresente como um thriller psicológico intenso, o filme muitas vezes inclina-se mais para a comédia do que para o terror. O tão comentado desfecho, na minha opinião, está longe de ser inesperado e cativante. O plot soa previsível e acaba por enfraquecer todo o mistério que estava a ser construído ao longo da narrativa.

Considero, assim, que Hora do desaparecimento apresenta ideias interessantes, mas não consegue se consolidar como um novo clássico deste género.