A banda de indie rock portuguesa nascida em 2003 atuou esta sexta-feira, 11 de outubro, na blackbox do gnration num concerto esgotado que serviu de apresentação do álbum “Passa-Montanhas”.
No início do mês, a 1 de outubro, Linda Martini disponibilizou digitalmente o projeto “Merda e Ouro”, alimentado por gravações dos concertos comemorativos dos 20 anos da banda em Lisboa e no Porto. No entanto, o sétimo disco da sua carreira e o primeiro a contar com Rui Carvalho, lançado em janeiro de 2025, foi o eixo da noite.
A sala, pequena e cheia, criou um ambiente íntimo e descontraído: “gostamos de tocar em espaços pequenos e apertados”, admitiu a banda. A plateia respondeu com cervejas na mão, ao criar-se uma energia que ligou as gerações mais velhas às mais novas, que ainda seguem o universo musical de Braga.
A entrega dos músicos foi visível ao longo de toda a atuação. Rui Carvalho, também conhecido pelo apelido Filho da Mãe, juntou-se à guitarra com André Henriques; na bateria esteve Hélio Morais; no baixo, Cláudia Guerreiro. Hélio, Cláudia e André alternaram-se nas vozes durante o concerto, transmitindo essa vibração diretamente ao público.
O foco no álbum novo não impediu momentos de comunhão com temas anteriores. “Cem Metros Sereia” voltou num encore que transformou a plateia numa extensão da banda, com cânticos finais em que os espectadores assumiram o papel do coro.
A experiência visual da noite ficou marcada por um par de olhos projetado na parede por trás do palco, que parecia vigiar os espectadores ao longo do concerto. A banda fez ainda um apelo ao voto e exibiu a bateria marcada com a expressão “Palestina Livre”, sinais de que a música não se desvincula de posicionamentos.
Esta foi a segunda passagem do grupo pelo gnration – a primeira tinha acontecido em 2017 – e confirmou a capacidade do coletivo de transitar dos subúrbios de Lisboa a Braga mantendo uma base fiel de seguidores. A sala esgotada foi prova disso. Depois de Braga, Linda Martini segue em digressão. Marcam presença nos próximos dias em Viseu, Sintra e Alcobaça, levando “Passa-Montanhas” e o repertório que atravessa duas décadas de carreira a novas plateias.


