No dia 21 de dezembro de 2011, Abel Makkonen Tesfaye, mais conhecido como The Weeknd, lançava uma mixtape intitulada de Echoes of Silence, este que era o terceiro disco do início de carreira do cantor canadiano. Constituído por nove faixas, esta é a parte final da coleção musical Trilogy, que foi apresentada ao público no ano seguinte.

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Tal como os projetos anteriores de The Weeknd, entre eles House of Balloons e Thursday, também este se refere aos vícios de droga que o cantor tinha, tal como as suas experiências com o amor. Através do uso do R&B alternativo, juntando-se a alguns elementos de darkwave, música ambiente, pós-punk e trip hop, o álbum recebeu diversas críticas positivas, referindo que este era o compromisso total de Abel Tesfaye com a persona medonha que foi criada e que era isso que o tornava tão arrepiante.

Echoes of Silence começa com D.D, uma canção que foi composta e lançada por Michael Jackson, 24 anos antes, em 1987, e que o canadiano decidiu aproveitar para regravar e relançar nesta ocasião. Enquanto, em 1987, Diana era uma personificação dos fãs incomodativos, já em 2011, esta ressurge como uma metáfora mais sombria, e passando a ser aquela que chama o cantor para as profundezas e para os vícios. É uma introdução um pouco audaz, não só pela mudança de tema, mas pela demonstração dos níveis líricos e musicais a que Abel consegue chegar.

Segue-se Outside, esta que se destaca, principalmente pela utilização de uma melodia misteriosa retirada da música “Go Outside” da banda Cults. O tema reforça a ideia de um apelo constante ao mergulho a um abismo de escuridão, uma “zona” hipnótica da qual não se quer escapar que é referida durante a canção. Outra música que se pode realçar é Next, a penúltima faixa desta mixtape, onde o mundo de Tesfaye parece desmoronar-se por todos os lados, dando início a um final desolador, que não poderia ser mais morbidamente emocionante, mas que também faz com que os ouvintes tenham um pouco de pena pela autodestruição que este sofre.

Para terminar, surge Echoes of Silence, que além de concluir, dá nome a esta mixtape inesquecível. Uma música frágil, onde a voz de The Weeknd, a voz real procura escapar da zona do abismo, da destruição causada por si mesmo e por isso, é notável a diferença entre esta faixa e todas as outras, com um silêncio profundo a aparecer. Pode-se dizer que esta faixa final é o silêncio depois da festa, com a presença de vocais suaves que acalmam qualquer um, mesmo quando tudo parece muito agitado.

Em conclusão, o pacto que The Weeknd parece ter com o diabo durante a mixtape vai acentuando durante cada faixa, com chamadas para a redenção a acontecerem durante os 45 minutos e 45 segundos de música. Apesar disso, Abel continua a tentar salvar a sua alma, a sua humanidade, mas é constantemente puxado para trás pelos seus vícios que o levam de volta ao abismo. Desde a introdução audaz que demonstra a capacidade lírica e musical do canadiano até à conclusão suave, onde sentimos a voz real de Tesfaye a tentar escapar dos escombros do seu próprio mundo, o álbum apresenta os efeitos que os vícios podem ter na nossa vida, destruindo-a por completo.