Together é o mais recente trabalho escrito e realizado por Michael Shanks, lançado em 2025. Conta com as interpretações de Dave Franco e Alison Brie, casal também na vida real, que regressa ao grande ecrã num registo mais sombrio do que o habitual.
A história centra-se em Tim e Millie, um casal que decide mudar-se para o interior na tentativa de salvar uma relação à beira do colapso. Logo após a mudança, durante uma caminhada pelas áreas selvagens em torno da sua nova propriedade, o casal perde-se e acaba por pernoitar numa caverna. Durante a noite, os corpos de Tim e Millie ficam parcialmente colados enquanto dormem, deixando feridas quando tentam separar-se de manhã.
À medida que tentam lidar com esta estranheza, a ligação entre eles torna-se cada vez mais intensa, com o corpo e a emoção a aproximarem-se de forma irresistível. É a partir destes acontecimentos iniciais que a longa-metragem se transforma num estudo inquietante sobre dependência emocional, solidão e os limites da intimidade. Desafiando, assim, o espectador a encarar o amor não como refúgio, mas como possível fonte de destruição.
A premissa bizarra do filme é explorada sem receios, mostrando a fusão física e emocional do casal de forma explícita, enquanto mantém à vista as influências do body horror, lembrando o cinema de David Cronenberg, onde o corpo se transforma num elemento central da narrativa e da tensão. Embora seja rotulado como filme de terror, Together afasta-se da fórmula clássica do género e aproxima-se mais do body horror, mas sem se limitar ao grotesco.
O humor surge de forma subtil, aparecendo nos momentos certos para aliviar a tensão sem quebrar o ritmo da narrativa. Estas pausas de leveza funcionam porque contrastam com cenas que provocam desconforto, muitas vezes difíceis de assistir. É notável como Shanks consegue tornar o filme provocador e, ao mesmo tempo, curioso, explorando os limites do corpo e da relação do casal com ousadia. Os momentos mais grotescos e intensos são equilibrados pelo humor subtil e pela forma como a narrativa mantém o espectador ligado à história.
A química entre as duas personagens principais é outro ponto que se destaca. O casal transmite credibilidade, e a relação deles consegue mostrar tanto cumplicidade como fragilidade. Esta dinâmica é essencial para que o espectador se envolva emocionalmente com a história, e funciona mesmo nas sequências mais extremas ou desconfortáveis. É também graças a esta relação que algumas cenas mais ousadas do filme ganham impacto, porque o público consegue sentir a tensão e o risco que cada personagem enfrenta.
No entanto, existem limitações claras que não podem ser ignoradas. O CGI é inconsistente e, em várias sequências, torna-se pouco convincente, o que compromete a imersão em momentos que deviam ser mais intensos. O final do filme também desaponta: segue um caminho previsível e não explora todo o potencial dramático que o argumento sugere. Há cenas que podiam ter sido mais arriscadas e surpreendentes, e alguns pormenores do enredo não são totalmente desenvolvidos, deixando a sensação de que a execução não acompanha a força da ideia central.
O argumento é, sem dúvida, o ponto mais forte de Together. A ideia de um casal ligado física e emocionalmente é original, provocadora e diferente de tudo o que se vê frequentemente no cinema. A história consegue criar tensão, desconforto e reflexão sobre intimidade, dependência e fragilidade nas relações, mesmo que a realização nem sempre corresponda às expectativas. É um filme que desperta curiosidade e oferece algo novo, mas que poderia ter sido mais consistente e impactante se alguns aspetos técnicos e narrativos tivessem sido melhor trabalhados.
Realização: Michael Shanks
Argumento: Michael Shanks
Elenco: Dave Franco e Alison Brie
Data de lançamento: 30 de julho de 2025





